Células tiradas de testículo funcionam como células-tronco

As células testiculares evitam o dilema ético das células-tronco embrionárias, mas´só servem para homens

Associated Press,

08 de outubro de 2008 | 14h00

Células extraídas de testículos humanos parecem ser tão versáteis quanto células-tronco derivadas de embriões, informam pesquisadores nesta quarta-feira, 8, no que poderá representar uma nova abordagem para este campo em expansão.   O novo tipo de célula-tronco poderá ser útil para o  cultivo de tecidos personalizados para transplante, de acordo com um estudo publicado na edição desta quinta-feira da revista Nature. Mas, por conta de sua fonte, o benefício é mais promissor para apenas metade da população humana: os homens.   Células-tronco embrionárias podem dar origem a virtualmente qualquer tecido do corpo, e cientistas acreditam que poderão oferecer tratamentos para doenças como o mal de Parkinson, diabete e lesões da coluna vertebral.   As células testiculares evitam o dilema ético das células-tronco embrionárias, que são recolhidas num processo que destrói embriões. Por esse motivo, pessoas como o presidente dos EUA,  George W. Bush, se opõem às pesquisas com elas.   "A vantagem destas células em comparação com as células-tronco embrionárias é que não há problemas éticos com elas, e são naturais", diz o principal autor do estudo, Thomas Skutella, do Centro de Biologia e Medicina Regenerativa de Tübingen, na Alemanha.   O uso de células testiculares não é a única abordagem promissora que contorna o uso de embriões: já ocorreram experimentos com a reprogramação de células ordinárias do corpo humano, para que passem a funcionar como células-tronco.   Especialistas saudaram o novo desenvolvimento como promissor, mas não como razão para abrir mão do uso de células de embriões. "É empolgante. Poderíamos fazer funcionar para homens. Mas isso deixa as mulheres sem uma saída fácil", disse o cientista de células-tronco George Daley, do Instituto de Células-Tronco de Harvard. Ele disse que as células embrionárias "têm um lugar todo seu" na biologia.   O novo resultado deverá levar anos para se traduzir em tratamentos médicos. Mas Daley diz que os novos esforços podem se beneficiar dos resultados de uma década de pesquisas com células-tronco embrionárias e, por isso, avançar mais depressa.

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