Células-tronco ajudam a reconstruir seios com câncer

Técnica implanta células-tronco adultas com gordura obtida de uma lipossucção da própria paciente

Efe

24 de novembro de 2008 | 20h37

Médicos do Hospital Gregorio Marañón, em Madri, desenvolvem uma cirurgias inovadoras em mulheres operadas por câncer de mama, que reconstroem o seio através da implantação de células-tronco adultas com gordura obtida de uma lipossucção realizada horas antes na própria paciente. A médica Rosa Pérez Cano, da equipe que emprega essa técnica na Espanha, explicou nesta segunda-feira, 24, em coletiva de imprensa como é o procedimento. A paciente é anestesiada antes da lipossucção abdominal, uma técnica "muito dolorosa", e "quando desperta pode ficar com sua família durante duas horas, que é o tempo necessário para extrair as células-tronco"; nós então "a sedamos novamente para a implantação da gordura, e meia hora depois" pode ir para sua casa, explica a médica. No total, o processo pode durar entre quatro e cinco horas e ele não produz nenhuma cicatriz nova, já que as células-tronco são implantadas por meio de uma pequena seringa, acrescentou a médica, chefe do serviço de cirurgia plástica e reparadora do hospital. O processo, pioneiro na Espanha em tratamento celular aplicado à cirurgia plástica, faz parte de um teste clínico europeu, no qual participam 40 pacientes de Reino Unido, Itália, Bélgica e Espanha, que já passaram por cinco intervenções. O processo começa com uma lipossucção, durante a qual há a extração de células-tronco adultas que serão implantadas na paciente com o objetivo de reconstruir a mama que sofreu uma cirurgia para a retirada do tumor e de gerar vasos sanguíneos novos que permitam irrigar a região afetada e fixar a gordura. "Costumamos fazer uma lipossucção abdominal ou das coxas, mas preferimos no abdômen porque há mais células-tronco", explicou a médica. Uma máquina faz o processo de separação e purificação das células-tronco que serão implantadas. "É uma intervenção muito simples e cômoda para a paciente", ressaltou a médica, que disse que até agora o procedimento foi feito em cinco mulheres de uma média de 48 anos de idade e que tinham superado previamente um câncer de mama sem gânglios e metástases. A técnica, no entanto, é aplicada em casos que a paciente perdeu apenas parte do seio durante a intervenção cirúrgica prévia, mas Pérez Cano se mostrou convencida de que mais adiante será possível "reconstruir completamente a mama com células próprias ou de outro, por meio de bancos de células".

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