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Células-tronco podem ser extraídas do sangue

Método britânico é mais seguro e eficiente que sistema conhecidos até agora, segundo estudo

BBC

30 Novembro 2012 | 10h11

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram uma técnica de produção de células-tronco a partir do sangue dos próprios pacientes, o que pode abrir caminho para novos tratamentos de uma série de doenças, segundo o estudo publicado no jornal especializado Translational Medicine.

 

As células foram usadas para a produção de vasos sanguíneos. Segundo o estudo, os pesquisadores acreditam que o método possa se tornar um dos mais seguros e rápidos para a extração de células-tronco, mas alertaram que ainda não têm certeza se o procedimento é totalmente viável.

 

Embora seu uso seja motivo de polêmica, as células-troncos são uma das maiores esperanças da medicina científica. Elas podem se transformar em qualquer outra célula ou tecido do corpo, podendo, portanto, restaurar partes danificadas do coração, do cérebro e até dos olhos e dos ossos.

 

Uma das fontes das células-troncos são os embriões, mas esse método de extração é bastante controverso. Além disso, tais células podem ser rejeitadas pelo corpo receptor assim como ocorre com os transplantes de órgãos. Há pesquisas que mostram que células da pele retiradas de adultos podem ser convertidas em células-tronco e que não há riscos de rejeição.

 

A equipe de Cambridge procurou nas amostras sanguíneas células reparadoras capazes de restaurar os vasos danificados. Essas unidades, posteriormente, foram convertidas em células-tronco.

 

Amer Rana, uma das pesquisadoras envolvidas, afirmou que o método é melhor que aquele que extrai as células da pele. "Estamos empolgados por termos desenvolvido um método prático e eficiente para criar células-tronco a partir de uma unidade sanguínea. A biópsia de tecidos não é desejável para crianças e idosos, mas ter amostras de sangue coletadas é comum para todos os pacientes", disse.

 

Ainda segundo a pesquisadora, as células coletadas pareciam mais seguras para uso que as provenientes da pele. "O fato de essas estruturas serem estáveis é promissor. O próximo estágio obviamente é dizer 'se podemos fazer isso, vamos produzir células para tratamentos clínicos'. Poderemos então usar essa tecnologia nas clínicas pela primeira vez", concluiu.

 

Chris Mason, especialista em medicina regenerativa na Universidade de Londres, disse que o trabalho de Cambridge é "maravilhoso". "É muito mais fácil pegar células-tronco de amostras sanguíneas que de amostras de pele. É um grande avanço. Mas as células-tronco pluripotentes (aquelas convertidas a partir de células adultas) ainda são novas, precisamos de mais experiência para reprogramar as células de uma maneira totalmente segura', completou. 

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