Células-tronco revertem cegueira causada por queimaduras

Células retiradas dos próprios pacientes reconstituíram as córneas danificadas

Associated Press

23 Junho 2010 | 19h37

Dezenas de pessoas que ficaram cegas ou sofreram danos graves nos olhos por causa de queimaduras químicas tiveram a visão restaurada com um implante de células-tronco de seus próprios corpos, informam cientistas italianos.

 

O tratamento funcionou em 82 de 107 olhos, e parcialmente em 14 outros, com os benefícios perdurando, até agora, por uma década. Um homem cujos olhos haviam sido gravemente danificados há mais de 60 anos agora tem visão praticamente normal.

 

"Trata-se de um sucesso estrondoso", disse o oftalmologista Ivan Schwab, da Universidade da Califórnia Davis, que não havia tomado parte no estudo, o mais longo e maior do tipo.

 

Transplantes como os descritos oferecem esperança para as pessoas que sofrem queimadura química das córneas, que podem ser causadas, por exemplo, por alguns produtos de limpeza pesada. Mas a abordagem não oferece ajuda a vítimas de dano ao nervo óptico ou à retina. A técnica também requer a presença de algumas células saudáveis na córnea para realizar o transplante.

 

No estudo, publicado no New England Journal of Medicine, pesquisadores pegaram um pequeno número de células-tronco do olho saudável de um paciente, multiplicaram-nas em laboratório e as transferiram para o olho danificado, onde elas produziram tecido saudável que substituiu o que havia sido danificado.

 

Como as células vinham de seus próprios corpos, os pacientes não precisaram de medicação contra rejeição. 

 

O estudo italiano envolveu 106 pacientes tratados entre 1998 e 2007. A maioria tinha danos extensos em um dos olhos, e alguns tinham uma visão tão limitada que só eram capazes de sentir a luz, contar os dedos ou perceber movimentos.

 

As células foram retiradas do limbo, a borda em torno da córnea. Num olho saudável, o limbo é como uma fábrica, produzindo novas células para substituir as que morrem. Quando um ferimento mata as células-tronco, um tecido de cicatriz forma-se sobre a córnea, obscurecendo a visão.

 

No estudo, os cientistas removeram a cicatriz e colaram células-tronco sobre o olho ferido.

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