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Cem pessoas estão sob risco de exposição ao Ebola nos EUA

4 familiares de paciente internado foram ordenados a ficar em casa e não receber visitas por 21 dias, período de incubação do vírus

Cláudia Trevisan, Correspondente

02 Outubro 2014 | 16h29

WASHINGTON - Autoridades de saúde pública do Texas identificaram cerca de cem pessoas sob risco de terem sido expostas ao Ebola em contato direto ou indireto com o primeiro paciente diagnosticado nos Estados Unidos. Quatro familiares da vítima receberam ordens para ficar em casa e não receber visitas por 21 dias, período em que ocorre a incubação do vírus. 

Do grupo de cem pessoas, entre 12 e 18 tiveram contato direto com Thomas E. Duncan, que chegou aos Estados Unidos no dia 20, vindo da Libéria, país que está no centro do surto de Ebola na África Ocidental. Entre elas, há cinco crianças que estudam em quatro diferentes escolas de ensino médio e fundamental da cidade.

Elas passaram por processo de desinfecção e permanecem abertas. No entanto, houve pânico entre os pais e muitos estudantes não foram às escolas. Autoridades educacionais enviaram equipes para assegurar que não há risco.

Contaminação. A maioria das cem pessoas identificadas apresenta baixa probabilidade de terem sido contaminadas, pois o vírus só é transmitido quando seu portador manifesta os sintomas. A transmissão não se dá pelo ar e exige o contato com fluidos corporais da vítima ou superfícies contaminadas.

Duncan começou a apresentar sintomas da doença no dia 25 e procurou ajuda no Hospital Presbiteriano em Dallas. Depois de uma consulta, ele foi enviado de volta para casa com uma prescrição de antibióticos. O paciente estava no apartamento de sua namorada, onde estavam mais três pessoas. Todos conviveram com Duncan por três dias depois de a doença se manifestar, situação na qual o contágio pode ocorrer. 

O sobrinho de Duncan, Josephus Weeks, disse à NBC News que telefonou para o Centro de Controle de Doenças (CDC), no dia 28, preocupado porque seu tio não estava recebendo o cuidado adequado. O diretor dos CDC, Thomas Frieden, ressaltou que o paciente passou pelo sensor de febre no aeroporto de Monróvia (Libéria), sem que nada fosse detectado.

Em entrevista à CNN, a namorada disse que os funcionários do hospital foram informados em duas ocasiões que Duncan havia chegado poucos dias antes da Libéria. As autoridades de saúde pública investigam por que ele foi liberado apesar de vir de uma região que está no centro do surto de Ebola. Mark Lester, vice-presidente do consórcio que administra o Hospital Presbiteriano de Dallas, lamentou que a informação “não chegou a todo o corpo clínico”.

Segundo o jornalista Anderson Cooper, que entrevistou a namorada de Duncan na CNN, ela disse não ter recebido nenhuma orientação sobre o que fazer com materiais contaminados por fluidos corporais de Duncan: o lençol usado por ele, por exemplo, continuava na cama e toalhas haviam sido colocadas em sacos plásticos. 

O comissário de Saúde do Texas, David Lakey, reconheceu na tarde desta quinta-feira, 2, que o apartamento deveria ter sido limpo imediatamente, mas afirmou que as autoridades enfrentam dificuldades para encontrar funcionários dispostos a desempenhar a tarefa. Lakey disse que encontrou “um pouco de hesitação” de parte de servidores de saúde.

Processo. Duncan contraiu o vírus na Libéria, ao ajudar uma mulher grávida que morreu pouco antes de sua viagem para os EUA. Nesta quinta, o governo africano informou que a doença já se espalhou por todas as províncias do país. Autoridades da Libéria também afirmaram que Duncan será processado por ter dito no formulário que preencheu antes de deixar o país que não havia mantido contato com pessoas portadoras do vírus nos 21 dias anteriores. Seus familiares sustentam que ele não sabia que a mulher tinha Ebola. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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