Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Cemitérios da zona norte do Rio constroem milhares de novas gavetas

Além das mortes confirmadas por covid-19, Estado vê crescimento radical no número de óbitos por 'causas indeterminadas'

Caio Sartori e Wilton Júnior, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 17h01

RIO - Com a pandemia do novo coronavírus, os cemitérios de Irajá e Inhaúma, na zona norte do Rio, estão construindo milhares de novas gavetas para abrigar corpos. O Estado sobrevoou de drone a região de Inhaúma na tarde desta terça-feira e constatou que pelo menos 30 blocos, de tamanhos variados, estão sendo erguidos. Cada um tem capacidade para pelo menos centenas de mortos. 

Em Irajá, o helicóptero da TV Globo também flagrou construções. São 24 blocos já erguidos e, assim como no caso do outro bairro, cada um pode abrigar centenas de corpos.

O Rio registrou, até a tarde desta segunda-feira, 677 mortes pela covid-19. Além delas, contudo, também há um aumento radical no número de óbitos por “causas indeterminadas” nos cartórios fluminenses. Foram 310 entre o final de fevereiro, quando o País teve o primeiro infectado pelo coronavírus, e o último dia 18. O aumento é de 52 vezes em comparação com o mesmo período do ano passado, quando apenas cinco foram registradas.

Além das causas indeterminadas, as mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) também dispararam no Rio, segundo os registros cartoriais. Foram 130, contra seis no mesmo período do ano anterior. Ou seja, aumentou em 21 vezes. 

Em meio a esse cenário, a Prefeitura da capital fluminense publicou nesta terça-feira, 28, uma medida que autoriza empresas funerárias a fazerem, elas próprias, os registros de óbitos, para evitar uma sobrecarga nos cartórios. 

Procurada para dar um número exato de novas gavetas, a concessionária Rio Pax, que administra os cemitérios de Irajá e de Inhaúma, não respondeu aos pedidos de informação do Estado.

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