Bruno Kelly/Reuters
Bruno Kelly/Reuters

Cepa do coronavírus encontrada no Brasil já é vista em oito países, diz OMS

Variante da covid-19 pode estar em nações como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Itália, Coreia do Sul e Japão

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 13h02
Atualizado 27 de janeiro de 2021 | 16h51

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a cepa da covid-19 P.1, localizada inicialmente no Brasil, já se encontra no total em ao menos oito países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Itália, Coreia do Sul e Japão.

A informação consta do Boletim Epidemiológico Semanal da entidade, o qual aponta que são necessários mais estudos para avaliar se essa variante traz mudanças na transmissibilidade, na severidade da doença ou para a imunização dos pacientes.

A OMS nota que, a partir de investigações preliminares em Manaus, houve um aumento na proporção de casos da cepa, conhecida como P.1, de 52,5% em dezembro do ano passado para 85,4% do total de casos na cidade em janeiro deste ano.

A organização também anunciou que a variante britânica do novo coronavírus está presente em um mínimo de 70 países, dez a mais que na contagem anterior, em 25 de janeiro. Já a cepa sul-africana, outra mutação altamente contagiosa do vírus, foi detectada em 31 países até o momento.

Os números geram temores sobre seu possível potencial maior de transmissão ou de propensão a reinfecções, adverte a entidade. Por isso, a OMS reforçou novamente a importância do cumprimento das medidas sanitárias e destacou a necessidade de ampliação de testes e diagnósticos, além da realização de sequenciamento genético e "compartilhamento oportuno" dessas informações internacionalmente.

"O sequenciamento sistemático deve ser considerado para um subconjunto de viajantes, bem como amostras coletadas na comunidade para verificar a existência e extensão de transmissão local", conclui o boletim. 

Variante e mortalidade

A epidemiologista responsável pela resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) à pandemia de covid-19, Maria Van Kerkhove, afirmou nesta quarta-feira, 27, que a nova variante do coronavírus identificada no Reino Unido parece aumentar a mortalidade. Na última sexta-feira, 22, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, já havia afirmado que a nova variante inglesa do coronavírus poderia estar associada a um maior nível de mortalidade

“Fomos informados de que além de se disseminar mais rapidamente, agora também parece que há alguma evidência de que a nova variante - a variante que foi descoberta pela primeira vez em Londres e no sudeste (da Inglaterra) - pode estar associada a um maior grau de mortalidade", disse ele em entrevista coletiva.

Van Kerkhove destacou, contudo, que os dados ainda são preliminares, o que exige mais pesquisa científica para se ter certeza.  A epidemiologista ressaltou também que as cepas encontradas no Brasil e na África do Sul não parecem mudar o curso da pandemia e que as novas variantes identificadas até agora parecem não afetar os programas de vacinação com os imunizantes já disponíveis e aprovados nos países.

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