Cerca de 40% dos estudantes de São Paulo têm piolho

Com o início das aulas, eles voltam a atacar. Preferem aglomerações, independentemente do poder aquisitivo das vítimas, geralmente crianças. O piolho não poupa ninguém. E é nessa época que os insetos chamam mais atenção. As crianças acabaram de chegar de férias, do convívio com a família e voltam a se relacionar com os colegas, na sala de aula, no ônibus, nas brincadeiras. O piolho se aproveita dessa proximidade para passar de uma cabecinha a outra e se multiplicar. Cerca de 40% das crianças em idades escolar têm o parasita, segundo dados do Instituto Oswaldo Cruz . "O inseto ataca em qualquer época do ano, mas no início do ano letivo ele vem com mais força, porque as crianças estão mais perto umas das outras", explicou a médica sanitarista e pediatra Margarida Marques. E é por isso, segundo ela, que o tratamento tem de ser conjunto. É preciso que todas as famílias se mobilizem no combate ao inseto. A sobrinha da vendedora Eliane Alves, 7 anos, pegou piolho assim que as aulas começaram. Orientada por agentes de um posto de saúde na Zona Sul, Eliane marcou consulta com o pediatra e começou o tratamento de 10 dias, com a loção distribuída de graça na rede municipal de saúde. Toda a família teve de se tratar porque os piolhos já tinham tomado a cabeça da filha de Eliane, de 2 anos, e do marido dela . Ninguém escapa Segundo especialistas, é um mito associar o piolho a más condições de higiene. "Eles gostam de cabelo limpinho", disse o biólogo do Instituto Oswaldo Cruz, Júlio Vianna Barbosa. Basta um simples contato com alguém que esteja infestado ou com objetos pessoais dessa pessoa (como bonés, escovas e roupas) para pegar o parasita. O tradicional colégio Dante Alighieri já registrou alguns casos de pediculose (infestação de piolho) no início do ano. Os pais de alunos do ensino infantil receberam uma circular alertando sobre o piolho. Segundo o médico do colégio, Paulo Cesar Pinto, quando um caso de infestação é identificado, os pais da criança são orientados a iniciarem o tratamento. Nesse período, o aluno é afastado das aulas e quando retorna, passa por uma inspeção para ver se está tudo resolvido. "Fazemos em todos os alunos, para evitar constrangimentos. Apesar que isso não deve ser motivo de vergonha, já que qualquer pessoa está sujeita a ter piolhos."

Agencia Estado,

15 de março de 2007 | 09h50

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