Cerca de 90% das adolescentes entre 10 e 14 anos já usaram 'pulseiras do sexo'

Estudo aponta que a maioria não conhece o significado dos acessórios

estadão.com.br

07 Junho 2010 | 15h33

SÃO PAULO - Estudo inédito realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo na Casa do Adolescente de Heliópolis aponta que 90% das adolescentes entre 10 e 14 anos já usaram as chamadas "pulseirinhas do sexo". Entre os meninos nessa faixa etária, 54,8% já usaram.

 

Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, 38% das meninas e apenas 8,5% dos meninos disseram que usam ou já usaram as pulseiras. Já entre os jovens de 20 a 24 anos, ninguém entre os homens usou, e somente 1% das meninas já utilizaram o objeto.

 

A pesquisa ouviu 174 adolescentes e jovens de 10 a 24 anos entre os meses de abril e maio. Desse total, apenas 5,7% nunca tinham ouvido falar das pulseiras, e 54,2% disseram já as terem usado pelo menos uma vez. Entretanto, 89% dos que já utilizaram as pulseiras disseram que deixaram de usá-las, geralmente após saber o significado ou em razão das confusões e equívocos em torno das pulseiras.

 

Embora a maioria dos adolescentes já tenha usado as pulseiras, 61,6% dos entrevistados informaram não saber o significado das cores, e 37,8% disseram conhecer apenas o significado de algumas delas. Entre as pessoas ouvidas na pesquisa, a maioria (71,3%) acredita que o uso das pulseiras seja perigoso, mas 51,2% não concordam que existam pessoas que interpretem as pulseiras de forma maliciosa.

 

O estudo revelou, ainda, que 84% dos entrevistados conhecem amigos e amigas que usam ou já usaram as pulseiras. Sete dos 174 entrevistados conhecem quem sofreu violência por ter usado a pulseira, incluindo uma morte.

 

Para Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria, o fato de muitos adolescentes estarem usando as pulseiras é fruto direto das experimentações nesta fase da vida, além da necessidade de autoafirmação e de ser aceito no grupo. Ela alerta, no entanto, que essa moda pode representar uma nova "ditadura do sexo", que codifica a mulher e fortalece o homem.

 

"Na esfera pública, o caminho novamente passa pelo aprofundamento de políticas, nas áreas de educação, assistência social e saúde, que deem poder de voz às adolescentes e que trabalhem as inseguranças, emoções e medos", afirma Albertina.

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