Cern fica como coadjuvante de luxo em prêmio

O Champagne e a festa já estavam prontos. Mas, no Cern, a direção e os cientistas tiveram de se contentar com o papel de coadjuvante de luxo no prêmio Nobel dado a Peter Higgs e François Englert. Nessa terça-feira, 8, a entidade que reúne 10 mil cientistas não disfarçava a frustração por ter ficado de fora, ainda que seus diretores insistissem que não estavam decepcionados. Em Estocolmo, houve quem defendeu que o prêmio fosse também dado ao Cern. Afinal, foi graças a um aparelho de 26 quilômetros e que custou US$ 8 bilhões e 25 anos de projetos que a teoria dos físicos foi comprovada e as partículas, observadas.

Jamil Chade / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2013 | 02h05

O Comitê do Prêmio Nobel travou um debate ontem sobre quem deveria receber o prêmio e a discussão atrasou o anúncio dos ganhadores. Quando o comitê se reuniu para votar, um grupo insistia que o Cern deveria também ser premiado. Outros rejeitavam essa ideia. Mas aceitaram que, no comunicado oficial, o nome do Cern fosse explicitamente mencionado.

No anúncio, cientistas e funcionários da instituição em Genebra estavam reunidos e, todos de pé, acompanhavam a transmissão do evento em clima de Copa do Mundo. Ao escutarem os nomes dos premiados, o salão explodiu em palmas. "Temos de estar felizes", disse Denis Damazio, brasileiro que trabalha na coleta de dados de um dos experimentos mais caros da história.

Alguns lembravam que o Nobel da Paz já havia sido dado em 2008 ao IPCC, envolvendo centenas de cientistas. Rolf Heuer, diretor do Cern, disse que é importante que toda a teoria seja verificada antes de ser consagrada. "Teoria e experimento vão juntos", declarou.

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