JF Diório/Estadão
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Cerveja e vinho ajudam coração e têm poder antioxidante

Especialistas alertam, no entanto, que o consumo deve ser moderado e associado a alimentação saudável e exercícios físicos

Lucca Rebelato, O Estado de S. Paulo

20 Julho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Bebidas alcoólicas em excesso causam prejuízos ao organismo. Entretanto, o consumo das fermentadas - em doses moderadas - pode trazer benefícios para a saúde. As substâncias presentes nessas bebidas ajudam o funcionamento do sistema cardiovascular e podem retardar o envelhecimento e prevenir doenças.

"O principal efeito positivo (no consumo de bebidas fermentadas) que podemos citar é a ação dos antioxidantes. Essas substâncias impedem a ação danosa dos radicais livres, que causam o envelhecimento precoce", explica Rosana Perim, gerente de nutrição do Hospital do Coração de São Paulo (HCor). Na cerveja, são os polifenóis que garantem a ação. "Os grãos da família da cevada conferem à cerveja diferentes tipos de polifenóis, enquanto o lúpulo é responsável pelo xanthohumol, polifenol mais potente da planta", diz Rosana. Já no caso dos vinhos, os antioxidantes respondem pelos nomes de resveratrol e flavonoides e estão presentes nas uvas.

O vinho também pode ser um aliado para quem busca controlar os níveis de colesterol. "A bebida tem o potencial de reduzir o colesterol ruim (LDL), que se acumula nas artérias, e aumentar o colesterol bom (HDL), que faz a limpeza da gordura no sistema cardiovascular", explica o cardiologista Antonio Eduardo Pereira Pesaro, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Pesquisas da Sociedade Europeia de Cardiologia indicam que o consumo de uma taça diária de vinho pode diminuir em 11% o risco de infecções por bactérias. Já no caso das cervejas, "é notável a presença de vitaminas do complexo B, que têm diversas atuações no corpo e auxiliam no equilíbrio geral do metabolismo", afirma a nutricionista.

Enquanto vinho e cerveja são produzidos com base na fermentação dos ingredientes com o auxílio de microorganismos, as bebidas destiladas são fabricadas por meio de uma espécie de evaporação controlada, o que afeta a facilidade de absorção dos líquidos pelo organismo. "As fermentadas têm mais água que álcool, por isso são mais fáceis de serem metabolizadas”, diz Rosana.

A presença de água nas bebidas está diretamente relacionada ao processo de fabricação e ao nível alcoólico. "A cerveja chega a ter 92%, em média, enquanto o vinho, 85%. As destiladas possuem muito menos, já que no seu processo de produção a água é vaporizada para que restem apenas compostos fenólicos na composição. Algumas chegam a ter 70% de teor alcoólico", explica.

As versões sem álcool das bebidas fermentadas têm as mesmas ações benéficas dos antioxidantes. "Tanto o suco de uva quanto a cerveja sem álcool podem ser consumidas pelas pessoas que possuem alguma restrição ou estão tomando algum remédio que contraindique as bebidas alcoólicas", afirma Rosana.

Em contrapartida, as bebidas destiladas não apresentam as mesmas características benéficas ao organismo. "Elas têm álcool em uma concentração maior, o que pode sobrecarregar o fígado, entre outros efeitos prejudiciais", alerta Rosana. Além disso, os destilados são muito mais calóricos que as bebidas fermentadas. Segundo a nutricionista, "é um mito afirmarmos que a cerveja é a bebida que mais engorda. Para cada 100 ml de cerveja, temos 40 kcal em média, e 95kcal para o vinho. Já um copo de uísque pode chegar a 500 kcal e não oferece nutrientes em quantidades interessantes como o vinho e a cerveja. Há estudos que comprovam que a cerveja não causa a temida barriguinha, mas sim alimentos calóricos e pouco nutritivos que acompanham a bebida.”

Rosana, porém, faz um alerta: o consumo das bebidas fermentadas deve estar associado a um estilo de vida saudável. "É importante lembrar que é uma combinação de fatores. Não adianta consumir a dose diária se a pessoa não pratica atividades físicas ou é fumante, por exemplo."

Segundo Pesaro, se o consumo de bebida alcoólica for a abusivo, além da perda dos benefícios, uma série de doenças podem ser desencadas. "O uso de álcool em grande escala pode levar a um comportamento viciante. Nesse caso, os benefícios cardiovasculares são perdidos, com aparecimento de problemas no fígado e no cérebro, por exemplo."

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de cerveja deve ser de, no máximo, uma lata para mulheres e duas para homens e o de vinho, de uma taça para as mulheres e uma taça e meia para os homens. O teor alcoólico da cerveja varia entre 5% e 8%, enquanto o vinho tem, em média, 12%.

No dia a dia. Para o beer sommelier Tulio Rodrigues, também estudioso do vinho, o ideal é consumir a bebida em uma refeição. "No caso da cerveja, temos uma cultura de que é proibido consumi-la com o almoço, algo extremamente comum na Europa, mesmo durante o expediente de trabalho. Isso é um mito."

Rodrigues dá dicas também de harmonização. Segundo ele, há sempre uma bebida que combina com cada alimento. "As cervejas podem ser combinadas por similaridade ou por contrariedade. Pratos leves harmonizam com cervejas mais leves, como a nossa mais popular, a Pielsen. Comidas mais encorpadas, de sabor mais forte, comportam cervejas encorpadas, como uma Ale", sugere. Porém, de acordo com o especialista, "em alguns casos, é possível harmonizar a bebida por oposição. Comidas mais cítricas vão bem com cervejas amargas, por exemplo."

No caso dos vinhos, Tulio explica que a harmonização deve ser feita por semelhança. "O branco vai muito bem com pratos leves, como saladas. Já os vinhos rosés são indicados para acompanharem frutos do mar, enquanto os tintos combinam com pratos mais robustos, como as carnes vermelhas."

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