Cesar Maia rebate críticas de Temporão sobre dengue no Rio

Prefeito do Rio acredita que incidência da doença deve diminuir naturalmente nos próximos meses

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

24 de março de 2008 | 22h10

O prefeito do Rio, Cesar Maia, rebateu as críticas do ministro Temporão chamando-o de "falastrão" por dizer que o pior da epidemia de dengue ainda está por vir. Segundo Maia, "há 15 anos a curva de incidência de dengue reduz em abril e cai fortemente de maio a julho em função do menor calor e umidade."  Veja também: Especial - A ameaça da dengueCariocas terão cartão para acompanhar evolução da dengueMinistério vai contratar 660 para enfrentar dengue no RioTemporão critica 'saúde precária' da Prefeitura do RioPara infectologista, SP corre risco de epidemia de denguePara governo, dengue cresce no Rio por falta de agentes Dengue atinge status de epidemia no Rio O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta segunda-feira, 24, que os casos de morte por dengue no município do Rio de Janeiro já ultrapassam em cinco vezes o nível considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que a situação pode piorar. De acordo com ele, a intensidade da epidemia se prolongará até o fim de abril, contrariando o prefeito Cesar Maia (DEM), que acredita no declínio dos casos. Para Maia a implantação de um gabinete de crise e o anúncio das medidas para controlar a epidemia não passam de jogo de cena: "Eles (as autoridades federais e estaduais) chegam no final de março fazem uma coreografia, porque sabem que esta sazonalidade ocorrerá a partir da metade de abril", respondeu ele ao Estado, em entrevista por e-mail. Críticas O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a criticar nesta segunda-feira, 24, o governo municipal pela epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Ao participar de um evento sobre o Dia Mundial de Combate à Tuberculose na favela da Rocinha, zona sul da cidade, ele disse que os índices desfavoráveis de doenças de diagnóstico e tratamento simples têm ligação com um sistema de saúde equivocado como o do Rio, voltado para a doença em vez da saúde e que "ficou nos anos 50 do século passado." Ele afirmou que o momento é grave e que a epidemia se prolongará numa "situação complicada" até abril. Após o discurso, o ministro tentou minimizar a crítica, dizendo que estava falando genericamente e que não é o momento adequado para troca de acusações entre as autoridades. "Sem mosquito não tem epidemia. Então, onde é que foi a grande falha aqui? No combate ao vetor. O momento agora não é de fazer acusação, nem de polemizar. Acho isso muito desagradável. A população quer respostas objetivas e claras. Como resolver? Estou aqui para isso. Para ajudar a resolver", disse. Entretanto, Temporão negou que o Ministério da Saúde tenha demorado a agir e admitiu que dirigiu suas críticas do discurso à gestão do prefeito Cesar Maia (DEM). "Isso eu faço desde que eu sou acadêmico, desde a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Não tem jeito. É o único município que vai na contra-mão de tudo o que é construído no Brasil. Isso a gente vai ter que discutir, mas mais na frente, não agora", afirmou.

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