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CFM amplia indicações da cirurgia bariátrica

Conselho aumentou o número de doenças que, caso associadas a IMC superior a 35, habilitam paciente ao procedimento

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2016 | 16h25

Atualizada às 21h45

Preocupado com o avanço da obesidade no País, doença que atinge um em cada cinco brasileiros, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou as indicações para a cirurgia bariátrica. Em resolução publicada ontem no Diário Oficial da União, o órgão médico aumentou a lista de doenças que, se associadas a um grau médio de obesidade, habilitam o paciente a passar pelo procedimento.

A cirurgia segue sendo indicada para pessoas com índice de massa corpórea (IMC) acima de 40 ou aquelas com IMC a partir de 35, mas que já apresentam determinadas doenças associadas ao excesso de peso, as chamadas comorbidades. A principal novidade da resolução é que o número de doenças associadas aceitas passa de seis para 21.

Na resolução antiga, de 2010, pacientes com IMC entre 35 e 40 e que tivessem uma das seguintes doenças poderiam fazer a cirurgia: diabete tipo 2, apneia do sono, hipertensão, displidemia (nível altos de gordura), doença coronária ou osteoartrites. A partir de agora, entram nesse grupo comorbidades como depressão, asma grave, infertilidade e disfunção erétil.

Segundo o vice-presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, a decisão se baseou em evidências científicas internacionais sobre os benefícios da cirurgia para pacientes que ainda não apresentam obesidade mórbida (IMC acima de 40). “A intenção é mostrar para a população que a cirurgia pode ser um tratamento importante e necessário para alguns grupos de pacientes. Mas sempre devemos lembrar que ela continua sendo a última arma a ser usada. A cirurgia não deixa de ser uma agressão ao organismo.”

A norma do CFM mantém a regra de que, para ser elegível à cirurgia, o paciente deve ser obeso há cinco anos e ter tentado o tratamento clínico (dieta, exercícios e medicamentos) por pelo menos dois anos.

Para o endocrinologista Bruno Halpern, coordenador do Centro de Controle de Peso do Hospital Nove de Julho, a norma representa um avanço ao incluir novas doenças, mas peca ao não ser mais específica em alguns casos. “A depressão nem sempre é causada pela obesidade. O quadro depressivo pode ser anterior ao ganho de peso e tem de ser tratado, pois pode complicar no pós-operatório.”

Acesso. Coordenador do Centro de Obesidade e Diabete do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e membro da câmara técnica do CFM que elaborou as mudanças na resolução, Ricardo Cohen afirma que, embora a cirurgia seja o principal tratamento indicado para pacientes com obesidade mórbida, uma pequena parcela da população tem acesso a ela. “Em 2014 foram 94 mil cirurgias no País, o que representa só 2,5% do total de pessoas que têm a indicação para o procedimento”, explica.

Ele diz que, no grupo com IMC acima de 40, somente 2% a 3% conseguem perder peso com tratamento clínico, o que torna a cirurgia importante. Foi o caso da gestora ambiental Jéssica Rached, de 24 anos. Com distúrbio na tireoide, ela tentou, sem sucesso, emagrecer. Em 2012, com 127 quilos, passou pelo procedimento. “Hoje, peso 74 quilos e a principal mudança foi a melhoria na qualidade de vida.

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