CFM deve dar aval a remédio com canabidiol

Discussão sobre uso terapêutico de componente da maconha veio à tona depois de campanhas feitas por familiares de pacientes 

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2014 | 21h33

BRASÍLIA - O Conselho Federal de Medicina (CFM) deverá aprovar em setembro uma resolução que abre caminho para que médicos prescrevam canabidiol, uma das substâncias presentes na maconha, para tratamento de pacientes. Uma equipe de pesquisadores que estuda o tema deve entregar até o fim do mês um relatório. Uma resolução deverá ser votada na sequência. 

Em junho, o CFM já havia divulgado uma nota sobre o assunto. Na ocasião, o colegiado afirmara defender a pesquisa com o produto, desde que feita de acordo com orientações dos comitês de ética. “Seguimos os passos da prudência”, afirmou o conselheiro Emmanuel Fortes. A posição mais flexível é resultado de apresentações feitas por pesquisadores que estudam o tema. “Os resultados são impressionantes. Além disso, temos de levar em consideração o drama das famílias.”

A discussão sobre o uso terapêutico do canabidiol, um componente da maconha que não tem efeito psicoativo, veio à tona depois de campanhas feitas por familiares de quem sofre crises repetidas de convulsão. A importação do remédio, que é liberado nos Estados Unidos, somente poderá ser feita mediante autorização especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Há dois meses, a agência discutiu a retirada do canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito, mas sem conclusão. “Acreditamos que a decisão possa ser um passo para a decisão da Anvisa”, disse o conselheiro. No relatório que a equipe de especialistas prepara para o CFM devem constar informações como a indicação do medicamento e as doses seguras.

Atualmente, para obter aval da Anvisa, familiares devem juntar uma requisição de médicos. Profissionais sentem-se, no entanto, intimidados, diante do fato de o remédio constar na lista de substâncias proscritas.

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