Check-up vê até 85% dos problemas cardiovasculares

No sábado, foi Bussunda. Em julho de 2002, o ator Gerson de Abreu. Em 1998, o deputado Luis Eduardo Magalhães. Os três morreram de enfarte por volta dos 40 anos e os três faziam exames periódicos de saúde. O humorista, por exemplo, havia feito check-up em janeiro no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, onde não foi constatada nenhuma obstrução arterial significativa. A notícia é desanimadora, mas o fato é que nenhum exame consegue rastrear todas as doenças cardiovasculares. "Na maioria das vezes, placas que entopem menos de 50% de diâmetro das artérias não dão isquemia miocárdica (quando o sangue demora a chegar ao músculo do coração). E fica muito difícil um exame detectar placas sem isquemia", conta Ibraim Pinto, cardiologista do Hospital do Coração. Um check-up padrão prevê até 85% dos problemas cardíacos. "A incorporação de técnicas sofisticadas, como a cintilografia (uma substância radioativa é injetada na veia do paciente e se liga só às células vivas do corpo, o que é detectado por uma câmera), até consegue elevar as chances de previsão para 90%. Mas 100%, impossível", diz o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas. "A dificuldade está no fato de o check-up detectar riscos. Trata-se de uma investigação. Não é como combater uma doença específica." Outra dificuldade: "Os fatores de risco têm tanto peso quanto um check-up", diz Pinto, do HCor. "Um paciente saudável pode ter alguns resultados alterados, como do colesterol, em menos de um ano." Há quatro principais fatores de riscos, batizados pelos médicos de quarteto mortal: hipertensão, diabete, colesterol alto e tabagismo. Cateterismo - Os exames nunca são exatos. Na avaliação do funcionamento do ventrículo esquerdo, o que distribui o sangue oxigenado para o organismo, a chance de erro no diagnóstico de um ecocardiograma, exame mais utilizado, é de cerca de 30%. Na detecção de doenças na membrana que envolve o coração (pericárdio), o eco tem 60% de precisão, dependendo do equipamento e do profissional. O exame capaz de fornecer o mapa mais preciso das artérias que irrigam o coração é invasivo e não está incluído em check-ups comuns: o cateterismo. Uma sonda fina e flexível (cateter) é introduzida na artéria da perna ou do braço e levada até o coração. Sua principal função é avaliar se há obstruções nas coronárias, as artérias que irrigam o coração e que quando entupidas causam o enfarte. O cateterismo pode ainda determinar a quantidade de sangue bombeada pelo coração. Problemas cardiovasculares são as principais causas de morte no planeta - 33%. Em segundo, o câncer, com 10%.

Agencia Estado,

20 de junho de 2006 | 09h49

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