NASA/Bill Ingalls
NASA/Bill Ingalls

Chefe da Nasa diz que EUA podem cooperar com a China no espaço

'Colaboração significativa pode ocorrer mesmo entre países considerados inimigos', disse Charlie Bolden, durante reunião em que citou a possível parceria para o futuro

Estadão.com.br e agências,

04 de novembro de 2011 | 15h19

Ao que parece, as duas grandes potências China e Estados Unidos poderão trabalhar juntas na área da exploração espacial. Pelo menos é o que afirmou o chefe da Nasa, Charlie Bolden, nesta última quinta-feira, 3, durante reunião no Capitol Hill, em Washington, segundo divulga o site Space.com.

Além de diminuir a barreira existente entre as nações, a parceria científica beneficiaria ambas. "Algum engajamento com a China em áreas relacionadas com o espaço no futuro podem formar a base para o diálogo e a cooperação de maneira consistente com os interesses nacionais de ambos os países, quando baseado nos princípios da reciprocidade, transparência e benefício mútuo", disse Bolden.

Atualmente, a parceria existente entre a Nasa e o programa espacial chinês é quase inexpressiva. Fato que colabora para esse distanciamento é uma medida no orçamento 2011, aprovada pelo deputado Frank Wolf (R-Virginia), que proíbe o uso de fundos federais para realizar trocas científicas bilaterais com a China.

Para o deputado, que também esteve presente nesta reunião em Washington, não faz sentido para os EUA apoiarem o desenvolvimento tecnológico da China, dada a fraca relação de Pequim com os direitos humanos e também suas aspirações em se tornar uma supremacia militar global.

De acordo com Bolden, a Nasa iria continuar a cumprir a lei de não-cooperação. Entretanto, o chefe da agência espacial norte-americana disse ser a favor de alguma troca cuidadosamente controlada com a China, como voo espacial e exploração espacial. "Colaboração significativa pode ocorrer mesmo entre dois países amplamente considerados inimigos", afirmou Bolden, citando os programas espaciais dos EUA e da União Soviética durante a Guerra Fria.

Futuro chinês

Em 31 de outubro, a China lançou a nave não tripulada Shenzhou-8, que realizou a missão de se acoplar ao módulo experimental espacial Tiangong-1 (Palácio Celestial) nesta última quarta-feira, 2 de novembro. No entanto, os planos não param por aí. O programa espacial da China prevê ainda mais dois lançamentos para 2012 - Shenzhou-9 e Shenzhou-10 - dessa vez com pelo menos uma das missões tripuladas, como parte da construção de sua primeira estação, que deve ficar pronta em 2020. A tripulação já foi selecionada e está recebendo treinamento para a viagem espacial, que será a quarta tripulada depois das de 2003 e 2005, e do passeio espacial de 2008.

Pequim ainda está longe de alcançar as superpotências espaciais estabelecidas: Estados Unidos e Rússia. Tiangong 1 é um módulo experimental e não uma parte na construção de uma estação espacial.

A Rússia, os Estados Unidos e outros países trabalham em conjunto na Estação Espacial Internacional (ISS), a qual a China não pertence. Mas os Estados Unidos não irão testar um novo foguete para missões tripuladas até 2017 e a Rússia já afirmou que missões tripuladas não são uma prioridade em seu programa espacial, que passa por dificuldades técnicas e atrasos. Nesse cenário, os testes não-tripulados da China determinarão se uma versão modificada da nave Shenzhou está pode levar homens ao espaço, habilitando o país a suprir uma eventual necessidade de viagens espaciais.

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