Rodrigo Garrido/Reuters
Rodrigo Garrido/Reuters

Chile aprova aplicação de Coronavac em crianças a partir de 6 anos

Instituto avaliou resultados de estudo chinês; especialistas consideraram necessidade de mais dados para ampliação para 3 anos

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 18h16

O Instituto de Saúde Pública do Chile (ISP) autorizou na segunda-feira, 6, a aplicação da vacina contra a covid-19 Coronavac em crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. A decisão é para uso emergencial.

O instituto é vinculado ao Ministério da Saúde chileno. Ele convocou especialistas para participarem da avaliação, baseada especialmente em um estudo chinês feito com mais de 500 crianças e adolescentes de 3 a 17 anos, o qual identificou a produção de anticorpos contra o novo coronavírus. 

Cinco dos especialistas do conselho convocado pelo ISP  votaram a favor da administração em crianças de 6 anos ou mais, dois foram favoráveis à autorização somente para os adolescentes a partir dos 12 anos e um votou contra a ampliação da faixa etária. A Coronavac está aprovada para uso de emergência em crianças na Indonésia e na China. 

No comunicado da decisão, o ISP diz que a aplicação a partir de 6 anos foi escolhida por ser a que os “dados existentes garantem uma boa resposta imune à vacina”. Também foi destacado que o imunizante teria um “bom perfil de segurança”.

Em coletiva de imprensa, o diretor do instituto, Heriberto García Escorza, destacou que a ampliação é importante em meio à disseminação de novas variantes, como a Delta. “Vamos gerando um escudo. Os dados demonstram que as crianças estão aumentando no número de contagiados, por serem os que não estão vacinados. Dentro deste grupo etário, estão por exemplo, crianças transplantadas, imunodeprimidas. E, portanto, é muito necessário aumentar este grupo etário”, declarou. 

Escorza ainda reconheceu que a decisão tem repercussão internacional. “Creio que isso nos coloca como um País bastante vanguardista, na mira do mundo”, afirmou. 

Ele também destacou que a vigilância sanitária chilena é “bastante boa em relação a outros países” e que será importante que médicos, professores e famílias estejam atentos a possíveis reações após a aplicação. 

Sobre as crianças de 3 a 5 anos, os especialistas do instituto entenderam haver a necessidade de levantamento de dados mais completos, especialmente da resposta imunogênica e de reações. “É um grupo que tem uma resposta imune mais forte”, afirmou o diretor do instituto. “Portanto, é importante esperar um estudo de fase 3 para tomar uma maior decisão.” Ele citou como exemplo um estudo com 4 mil pessoas no País, que será liderado pela Pontifícia Universidade Católica do Chile. 

A decisão foi celebrada pelo ministro da Saúde chileno, Enrique Paris. Ele classificou a autorização como uma "grande notícia", especialmente para a população em idade escolar. 

Assim como o Brasil e outros países, o Chile por enquanto realiza a aplicação apenas da vacina desenvolvida pela Pfizer com a BioNTech no público entre 12 e 17 anos. A Coronavac é a principal vacina aplicada no País, no qual 86% da população em idade elegível está com o esquema vacinal completo.

Anvisa considerou dados insuficientes para autorização no Brasil

No Brasil, a aplicação da Coronavac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos foi rejeitada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 18 de agosto. A decisão foi unânime e considerou que o perfil de segurança na população não foi suficientemente demonstrado nos dados enviados pelo Instituto Butantan. 

A agência também apontou dificuldade de determinar a eficácia da vacina para crianças. A ausência de algumas informações sobre a proteção da Coronavac em adultos, ainda não enviadas pelo Butantan, comprometeu a análise, destacaram os diretores da Anvisa.

Apesar de os participantes do estudo terem apresentado “resposta imune robusta” quanto à indução de anticorpos neutralizantes, a eficácia da vacina em crianças é desconhecida, segundo a Anvisa, porque não houve correlação no estudo atual com a proteção obtida em adultos./COM INFORMAÇÕES DA AP E DA REUTERS

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