Chile critica Brasil; Argentina acha aviso contra viagem 'normal'

Na Organização Pan-americana da Saúde, Michelle Bachelet criticou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão

REUTERS e EFE

24 Junho 2009 | 14h28

Governo recomenda adiar viagens a Chile e ArgentinaA presidente chilena, Michelle Bachelet, criticou na quarta-feira o governo brasileiro por aconselhar crianças, idosos e algumas pessoas com problemas de saúde a não viajar ao Chile e à Argentina devido à gripe H1N1.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde 

Bachelet, em discurso na Organização Pan-americana da Saúde (Opas) em Washington, criticou as declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que na véspera recomendou que idosos, crianças com até 2 anos de idade e pessoas com baixa imunidade adiassem viagens ao Chile e à Argentina.

"Nos parece que esse tipo de respostas, entendidas desde o susto, desde o medo, não são as respostas que os que trabalhamos na saúde entendemos como as necessárias para enfrentar uma epidemia dessa natureza", disse Bachelet, ex-ministra da Saúde, segundo a mídia chilena.

A Argentina e o Chile são os países da América do Sul com mais casos confirmados da nova gripe.

Na Argentina, até a noite de terça-feira, haviam sido registradas 17 mortes e 1.294 casos confirmados desde que a doença começou a se disseminar no país. No Chile, o número de mortes chegou a 7 e havia 5.186 casos.

Segundo o ministro, a recomendação foi definida com base em critérios epidemiológicos, uma vez que há grande número de casos da nova gripe no Brasil de pessoas que voltaram de viagem a esses dois países.

Temporão ressaltou que o Ministério da Saúde não determinou a proibição de viagens para países afetados pela gripe H1N1. Segundo ele, deve haver "prudência e bom senso nesse momento", uma vez que as férias estão chegando, o que aumenta a circulação de turistas brasileiros em países com casos confirmados da doença.

"Essa é uma medida adicional e de prevenção", disse o ministro na terça-feira. O Brasil não registrou nenhuma morte até o momento, e o número de casos confirmados chegou a 334, segundo último balanço.

Bachelet, pediatra com especialização em saúde pública, respondeu que para enfrentar esse tipo de situações "a única solução é a cooperação, trabalhar em conjunto e não fechar as portas ao movimento e à entrada das pessoas aos países".

Argentina não reclama

 

A ministra da Saúde da Argentina, Graciela Ocaña, considerou razoável que o governo brasileiro tenha recomendado evitar viagens para o território argentino e ao Chile, com o objetivo de evitar o contágio pela gripe suína.

 

"É uma recomendação de saúde como a que nós fizemos, para que as pessoas evitem viajar a zonas de risco, como Estados Unidos, Canadá e México", declarou a ministra ao canal de televisão Todo Noticias.

 

Com 17 mortos registrados até a terça-feira, 23, a Argentina é o país sul-americano com maior número de vítimas fatais da gripe, cuja proliferação obrigou as autoridades a instalar postos de saúde móveis em Buenos Aires, entre outras medidas.

 

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