China lança protótipo de laboratório espacial 'Palácio Celestial'

O Tiangong 1 (ou Palácio Celestial 1) foi lançado de uma base no deserto de Gobi nesta quinta-feira, 29, às 10h16 (Horário de Brasília)

Cláudia Trevisan, Correspondente, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2011 | 10h44

PEQUIM - A China lançou nesta quinta-feira, 29, seu primeiro módulo espacial não tripulado, que ficará em órbita durante dois anos e será usado no treinamento de manobras de aproximação e acoplagem essenciais para a construção da estação espacial independente que o país espera concluir até 2020. 

O Tiangong-1, que significa "Palácio Celestial", partiu para sua jornada às 21h16 (horário de Pequim), do Centro de Lançamento de Satélites Jiuquan, na província de Gansu, na região noroeste do país.

No início de novembro, a também não tripulada nave Shenzhou-8 entrará em órbita e se acoplará ao módulo, a uma altitude de 340 km. As duas estruturas ficarão unidas por 12 dias e voltarão a se acoplar em data ainda a ser definida. Depois disso, a Shenzhou-8 voltará à Terra.  Se o exercício for bem sucedido, ele se repetirá no próximo ano com as naves Shenzhou-9 e Shenzhou-10, que será tripulada e poderá levar a primeira astronauta da China. 

 

Zhou Jianping, do programa espacial tripulado, disse à agência oficial de notícias Xinhua que o acoplamento é o aspecto mais arriscado do projeto de exploração do espaço. "Nós não podemos nunca contar com a possibilidade de que outros países vendam sua tecnologia madura para nós e temos que confiar em nossa própria ", afirmou.

O lançamento do módulo espacial dá início à segunda de três etapas no desenvolvimento do programa espacial do país. O estágio inicial foi marcado pelo envio ao espaço do primeiro astronauta chinês, em 2003, o que transformou a China no terceiro país do mundo a realizar a façanha, ao lado de Estados Unidos e Rússia.

A terceira etapa é a construção da estação espacial, que terá 60 toneladas e entrará em operação em 2020, de acordo com o cronograma oficial. A estrutura será bem menor que a Estação Espacial Internacional, que tem 400 toneladas e é operada em conjunto pelos Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá.

Mas o futuro da Estação Espacial Internacional é duvidoso, em razão das restrições orçamentárias enfrentadas por seus principais operadores e os altos custos envolvidos no envio de suprimentos ao espaço. O contrato entre os países envolvidos no projeto termina em 2020 e ainda não há decisão sobre sua continuidade.

A China ficou da estação internacional em razão de discordâncias com os norte-americanos e decidiu construir sua própria estrutura de maneira independente. Pequim também tem ambição de enviar astronautas à Lua e definiu 2025 como a data provável para a expedição.

O programa espacial é um dos principais símbolos do processo de transformação da China em uma potência global. O país já é a segunda maior economia do mundo, conquistou o maior número de medalhas de ouro na Olimpíada de 2008 e faz parte do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

O lançamento do Tiangong-1 também serviu para mais um exercício de estímulo ao nacionalismo chinês, às vésperas do aniversário de 62 anos da Revolução Comunista, no dia 1ºde outubro. 

Os nove integrantes do Comitê Permanente do Politburo  - o grupo que manda na China - estavam no centro de Jiuquan para acompanhar o lançamento do módulo espacial.

 

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