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Chioro admite epidemia de dengue, mas nega mudança de estratégia

O 'Estado' revelou que a taxa de incidência já chega a 367,8 casos por 100 mil habitantes, considerada epidêmica segundo a OMS

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2015 | 17h55

SÃO PAULO - O ministro da Saúde Arthur Chioro admitiu que o Brasil vive uma epidemia de dengue, mas descartou que vai fazer alterações nas estratégias para combater a doença. Valendo-se de um discurso de "compartilhar os desafios de controlar a dengue", Chioro evitou responsabilizar individualmente alguma esfera de governo ou atribuir aos cidadãos a culpa pelo aumento no número de casos da doença.

O Estado revelou que a taxa de incidência nacional já chega a 367,8 casos por 100 mil habitantes, considerada epidêmica segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em cerca de 34 minutos de entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 4, o ministro foi questionado três vezes se o País vivia ou não uma situação de epidemia. Na primeira vez, negou. No entanto, confrontado pelos dados, o ministro voltou atrás.

"Nós temos 745.957 casos até o dia 18 de abril e sabemos que esse número aumentará. O Brasil vive uma situação de epidemia", afirmou Chioro. A situação ainda tende a se agravar porque o pico da doença acontece a partir da segunda quinzena de abril, além das primeiras semanas de maio - números que ainda não foram contabilizados. Apesar da situação, o ministro deixou claro que não deve adotar medidas emergenciais para conter a doença. "Isso não muda absolutamente nada o plano de contingência e a estratégia de controle", disse.

De acordo com Chioro, sete Estados brasileiros, que "claramente estão em critérios de situação epidêmica", puxam o índice para cima. São eles: Acre (1.064,8 casos por 100 mil habitantes); Goiás (968,9); Mato Grosso do Sul (462,8); Tocantins (439,9); Rio Grande do Norte (363,6); Paraná (362,8), além de São Paulo - terceiro lugar no ranking nacional, com 911,9 casos de dengue por 100 mil habitantes.

Para Chioro, o aumento dos casos neste ano está associado a condições climáticas, além do agravamento da crise hídrica e do "relaxamento" de alguns locais após a diminuição de casos da doença em 2014. "De certa forma, em algumas localidades, os resultados do ano passado fizeram com que se desarmasse a mobilização da sociedade em algumas ações", afirmou o ministro. "Apenas três Estados - Espírito Santo, Amazonas e Distrito Federal - tiveram diminuição do número de casos em relação a 2014."

"Nós precisamos aprender cada vez mais como mobilizar a sociedade. No caso da dengue, enquanto não houver vacina, não podemos desarmar as nossas ações de prevenção mesmo após um ano de resultados excepcionalmente bons."

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