Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Cidade de SP passa a usar só a Pfizer na dose de reforço para idosos

Medida vai na contramão da orientação do governo estadual, que tem recomendado usar todos os imunizantes, incluindo a Coronavac, na terceira aplicação; adoção de diferentes marcas é segura, dizem especialistas

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 09h58

SÃO PAULO - A capital paulista passa a aplicar exclusivamente a vacina contra a covid-19 da Pfizer como dose de reforço em idosos a partir desta quarta-feira, 15. O imunizante é o recomendado pelo Ministério da Saúde para a injeção extra, mas não vinha sendo aplicado pela Prefeitura neste grupo. O uso de produtos de diferentes farmacêuticas é seguro e defendido por especialistas para aumentar a proteção nos grupos mais vulneráveis, em que a proteção garantida pela vacina diminui com o tempo. 

Em São Paulo, as doses de reforço aplicadas até agora são da Coronavac, o que segue a orientação do governo paulista. O ministério, porém, excluiu a vacina do Instituto Butantan da lista de opções para a terceira dose em idosos e imunossuprimidos, diante de evidências científicas de que a Coronavac não era a melhor opção para o reforço vacinal.  A imunização de reforço começou no dia 6 de setembro na cidade de São Paulo. 

Conforme o cronograma de vacinação, idosos acima de 85 anos que tenham sido vacinados com a segunda dose ou dose única há mais de seis meses estão elegíveis para receber o reforço na capital. Na semana passada, foi imunizado o público com mais de 90 anos. A proteção adicional contra o coronavírus foi acelerada em um cenário de preocupação com a variante Delta, mais transmissível, que já é predominante na cidade. 

Nesta quarta, a previsão era de chegada de 344 mil doses da vacina da Pfizer à cidade de São Paulo. O lote terá de ser suficiente para abastecer as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que passam a destinar o imunizante a quatro grupos distintos: 

  •  Idosos elegíveis para dose de reforço
  • Primeira dose para adolescentes
  • Segunda dose para pessoas que tomaram Pfizer 
  • Segunda dose para pessoas que tomaram AstraZeneca

Até terça-feira, 14, foram aplicadas 33.711 doses de reforço na capital paulista, sendo 27.841 em idosos acima de 85 anos. Foi usada neste período, segundo a Prefeitura, a Coronavac. O restante foi dado a imunossuprimidos ou idosos com mais de 60 anos que tenham tomado a 2ª dose da vacina há mais de seis meses, na chamada "xepa" da vacina. 

A aplicação da 3ª dose tem sido adotada por outros países, como Estados Unidos, Reino Unido, Israel e Chile. No caso do país sul-americano, primeiro a adotar a estratégia de proteção extra para grupos mais vulneráveis no continente, quem tomou duas doses de Coronavac tomou um reforço de Pfizer ou de AstraZeneca. 

Estado enfrenta desabastecimento de AstraZeneca

O Estado de São Paulo ainda enfrenta desabastecimento da 2ª dose vacina AstraZeneca. Para evitar atrasos na imunização, os postoss de saúde têm utilizado a Pfizer como a segunda aplicação - o que também é defendido pelos especialistas. A Prefeitura não cita risco de faltar vacina da Pfizer no município, apesar da alta demanda pelo imunizante.

A gestão João Doria (PSDB) espera normalizar o estoque de vacinas da AstraZeneca até o fim da semana, disse o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, em entrevista à rádio Eldorado. O governo estadual recebeu nesta quarta 465 mil doses do imunizante e pretende completar até sexta-feira o total de 1 milhão de doses em atraso.

“Diferente da vacina do Butantan, não temos nenhuma autonomia sobre a compra de AstraZeneca e Pfizer, portanto dependemos integralmente do Ministério da Saúde”, afirmou o secretário. Gorinchteyn ressaltou que o Estado também recebeu 500 mil doses da Pfizer, e que essas vacinas são suficientes para dar continuidade ao programa de vacinação, incluindo a dose de reforço em idosos. 

Mas no Estado, conforme afirmou o secretário, não haverá priorização de vacina específica para a dose de reforço. “Qualquer um dos imunizantes disponíveis é capaz de provocar esse efeito booster (reforço na proteção), seja Coronavac, Pfizer ou AstraZeneca", defende Gorinchteyn. "Portanto, qualquer um é merecedor de ser aceito, já que cumpre seu papel, principalmente em grupos vulneráveis”. 

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