Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Cidade no interior de Goiás antecipa vacinação de idosos e ex-prefeito é primeiro imunizado

Prefeitura vacina antes os maiores de 75 anos e contraria plano nacional; outro município que adotou a mesma estratégia virou alvo do Ministério Público

Gonçalo Junior e Andreia Bahia, especial para o Estadão

25 de janeiro de 2021 | 05h00

SÃO PAULO E GOIÂNIA - A cidade de Mineiros, em Goiás, reservou 400 das suas 850 doses para idosos com mais de 75 anos. Mas, por enquanto, a orientação é imunizar só profissionais de saúde, indígenas e idosos que morem em asilos. O primeiro a receber a Coronavac no município foi o ex-prefeito Agenor Rezende, de 77 anos, pai da atual secretária de Saúde. 

Flúvia Amorim, da Superintendência de Vigilância em Saúde estadual, diz que o plano original do Ministério da Saúde previa vacinar maiores de 75 anos nessa fase inicial, mas foi alterado diante da falta de vacinas. “(Os municípios) Resolveram adotar critérios próprios, mesmo informados”, afirma.

A secretária de Saúde de Mineiros, Rosângela Rezende, afirma não ter conseguido acompanhar as mudanças no plano. Sobre a escolha do pai, sustenta que foi um “ato simbólico”. Os demais idosos pegaram senhas para a vacinação. 

Já em Santa Helena de Goiás, a antecipação da vacinação dos maiores de 75 anos virou alvo do Ministério Público, que pediu para suspender a aplicação de doses em 150 idosos, no modelo drive-thru, na sexta-feira. Se houve má-fé, diz o MP, os gestores podem responder por improbidade administrativa. De 640 doses recebidas pela cidade, 150 foram reservadas a essa faixa etária. Segundo o conselho de secretários de Saúde de Goiás, só alguns idosos foram vacinados e as demais doses serão usadas no grupo correto. 

Em vídeo nas redes sociais, o prefeito, João Alberto Rodrigues (Patriota), disse que 100% dos vacinados estavam nos critérios federais e negou irregularidades.

Gestores preveem aplicação de doses a 'conta-gotas' nas próximas semanas

No cenário de restrições de doses, gestores de saúde apontam que as perspectivas para as próximas semanas são de uma vacinação a conta-gotas, expressão utilizada pelo secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes. Os perrengues vão continuar. “A euforia dessa semana vai ser sucedida de semanas de abstinência. Há um grande risco de não termos no primeiro trimestre deste ano uma campanha extensiva da população”, prevê ele. 

“Se a gente não conseguir resolver questões ligadas ao governo federal, como a negociação de insumos com a China e iniciar a produção no País, vamos entrar em 2022 vacinando as pessoas", diz Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde. O Brasil tem 12, 1 milhões de doses à disposição - 10,1 milhões da Coronavac e 2 milhões do imunizante da Universidade de Oxford e da farmacêutica britânica AstraZeneca. Para produzir mais das duas vacinas no Brasil, depende da liberação de matéria-prima pelos chineses. 

"Acredito que vamos conseguir acelerar o processo de vacinação apenas no segundo semestre. Por enquanto, vamos ficar vacinando em doses de maneira homeopática”, completa Carlos Lula, titular da Saúde do Maranhão. O público elegível no Brasil é de aproximadamente 162 milhões de pessoas.  

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