Anthony WALLACE / AFP
Anthony WALLACE / AFP

Cidade onde surto do coronavírus começou, Wuhan se isola

A metrópole de 11 milhões de habitantes, situada na China central, é considerada o local de origem do novo coronavírus. Após ignorar a doença por semanas, nos últimos dias população começou a usar máscaras de proteção

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 05h00
Atualizado 23 de janeiro de 2020 | 05h28

WUHAN - Uma cidade interditada e temerosa. A metrópole de Wuhan, situada na China central com 11 milhões de habitantes, é considerada o local de origem do novo coronavírus e se isola do mundo com o objetivo de conter uma epidemia. Autoridades decidiram fechar todos os meios de transportes. A maioria dos casos de contaminação foi registrada nessa cidade construída às margens do Rio Yangtsé.

Pouco antes do começo da quarentena, longas filas de veículos se formaram nas rodovias na manhã desta quinta-feira, 23, enquanto peritos checavam a temperatura das pessoas que partiam da cidade.

Agentes da polícia, com máscaras de proteção, patrulhavam a principal estação de trens de Wuhan antes do início do bloqueio.

A epidemia foi detectada pela primeira vez no último mês, em um mercado de frutos do mar localizado na cidade. Desde então, 17 pessoas morreram e os cientistas temem uma possível mutação e propagação desenfreada do vírus. Após ignorar a doença por semanas, nos últimos dias os habitantes de Wuhan começaram a usar máscaras de proteção, como relataram moradores. 

“O medo realmente aumentou desde segunda-feira, quando informaram que o contágio ocorre de forma direta entre pessoas”, relata Melissa Santos, uma estudante dominicana que vive em Wuhan há pouco mais de dois anos. 

Em um primeiro momento, as autoridades afirmaram que o vírus parecia ser transmitido apenas de animais para o ser humano e não havia contaminação entre humanos. Charly Bonnassie, um estudante francês que embarcou em um trem vindo de Wuhan, contou que “100% dos passageiros e funcionários” usavam máscaras.

“Não há mais máscaras disponíveis nas farmácias, todas sumiram”, disse Vincent Lemarié, um professor de francês que leciona na Universidade de Hubei, a Província de Wuhan. 

As autoridades se preocupam pelo risco de contaminação a poucos dias do feriado de ano-novo Lunar, quando milhões de chineses costumam viajar. “Caso não seja necessário, aconselhamos que não venham a Wuhan”, informou o prefeito da cidade, Zu Xianwang, em comunicado veiculado na televisão. 

Em uma entrevista coletiva em Pequim, o vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, sugeriu que os moradores não saiam da cidade. O aeroporto e a estação de trem estão “temporariamente fechados”, segundo informou o governo chinês. Também foram suspensos os transportes por metrô. 

Para evitar qualquer concentração de pessoas, as autoridades também cancelaram as comemorações previstas para o feriado do ano-novo chinês, no sábado. O famoso templo budista Guiyuan, que no último ano reuniu 700 mil pessoas para a ocasião, teve de cancelar o evento. Cerca de 30 mil pessoas já tinham reservado seus ingressos e outros 200 mil foram distribuídos de forma gratuita. 

As autoridades também proibiram qualquer espetáculo e fecharam o museu. O prefeito, criticado por ter organizado no fim de semana um banquete no qual recebeu 40 mil famílias, teve de explicar que desconhecia o tamanho da epidemia.

“Um amigo que tinha me convidado para passar o ano-novo com ele em outra cidade da província de Hubei preferiu cancelar a festa”, diz Melissa.

Animais

A presença de animais selvagens e aves nos veículos que entravam e saíam da cidade já vinha sendo controlada. No mercado onde surgiu a epidemia eram vendidos animais selvagens, disse ontem o diretor do Centro Nacional de Controle e Prevenção de Doenças, Gao Fu. Ele não informou, no entanto, se esses animais seriam a origem da infecção. O local de comércio, principalmente voltado para a pesca, mantém uma seleção variada de mercadorias, como lobos e civetas. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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