Leo Souza/Estadão
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Cidade que teve projeto de vacinação em massa registra segundo caso da variante delta

Morador de Serrana de 37 anos não apresentou sintomas graves; primeira infecção pela cepa no município ocorreu há dez dias

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2021 | 20h20

SOROCABA - O segundo caso da variante delta do coronavírus foi confirmado nesta quinta-feira, 26, pela prefeitura de Serrana, no interior de São Paulo. A cidade ficou conhecida por ter sido a primeira no país com toda a população adulta vacinada, como parte de um projeto de vacinação em massa do Instituto Butantan. Nesta quinta-feira, 26, a prefeitura confirmou que um morador de 37 anos pegou a variante, mas não teve sintomas graves. Ele estava vacinado.

Dez dias atrás, já havia sido confirmado um caso dessa variante na cidade - o primeiro da região. A pessoa infectada, uma mulher de 30 anos, profissional de saúde, tinha recebido as duas doses da vacina. Estudos mostram que a variante delta é mais transmissível que as outras cepas e pode causar sintomas mais graves em pessoas não vacinadas.

De acordo com a Vigilância Epidemiológica, o morador infectado havia tomado as duas doses da vacina e procurou o sistema de saúde com tosse e dor de garganta. O teste para covid-19 deu positivo. O sequenciamento foi realizado e confirmou a variante. O homem, um profissional liberal, não precisou ser internado e já está recuperado. Ele mora com outras quatro pessoas e todos já cumpriram o período de isolamento. Três familiares dele estão com a imunização completa, enquanto o mais jovem ainda espera a segunda dose.

Conforme dados do governo estadual, a cidade de 45 mil habitantes tem 68% da população total vacinada com as duas doses. A primeira dose foi aplicada em 74% dos moradores. Isso porque o projeto de vacinação em massa do Butantan teve a participação apenas da população maior de 18 anos e de forma voluntária. Segundo a prefeitura, nos dois casos de infecção pela delta, os pacientes não tiveram sintomas graves, o que atesta a eficácia da vacinação. Os dois pacientes estiveram em Ribeirão Preto e podem ter se contaminado na cidade vizinha.

Dados do município indicam que a circulação da delta não alterou, até agora, as curvas de incidência da covid na cidade, que estão em queda. Depois de registrar um recorde de 1.376 casos em março, os números caíram a partir de junho, já sob os efeitos da vacina. Foram 952 este mês, 673 em julho e 517 em agosto, até agora. O pico de mortes - 18 - também aconteceu em março. Em junho foram 6, em julho apenas 2 e, neste mês, o número subiu para 5. Desde o início da pandemia, a cidade soma 4.592 casos e 106 mortes pela covid-19.

A prefeitura informou que o aparecimento de variantes e novas cepas decorrem de mutações normais em um vírus e que nada muda na cidade. "As medidas protetivas continuam normais e obrigatórias em Serrana", disse, em nota.

Eficácia

O Projeto S, do Instituto Butantan, foi desenvolvido com o objetivo de avaliar a eficácia da Coronavac quando aplicada em massa na população. A vacinação aconteceu entre março e abril deste ano. Em junho, segundo o Butantan, os casos sintomáticos de covid-19 tiveram redução de 85%. As internações caíram 86% e as mortes, 95%.  O projeto ainda avalia a imunidade de longo prazo dos moradores que receberam as duas doses. Os voluntários serão acompanhados durante 12 meses.

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