Sarangib/Pixabay
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Cidades de São Paulo apostam em citronela contra a dengue

Em Tupã, Guararapes e Sorocaba houve redução nos casos da doença; planta é aliada a outras estratégias

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

18 Março 2016 | 07h00

SOROCABA - Três cidades do interior de São Paulo que apostaram na distribuição de mudas de citronela, planta repelente de insetos, tiveram redução nos casos de dengue. Em Tupã, no oeste paulista, o número caiu de 640 casos notificados nos dois primeiros meses de 2015 para 81 este ano. Em Guararapes, a queda foi ainda maior, de 2.229 casos no mesmo período do ano passado para 54 este ano. Sorocaba teve uma redução de 20.255 para 1919 notificações. De acordo com as prefeituras, mesmo com o uso da citronela pelos moradores, as demais medidas de controle do mosquito Aedes aegypti foram intensificadas.

Em Tupã, a Secretaria Municipal de Saúde passou a distribuir as mudas e orientar o plantio em 2013, quando a cidade teve uma epidemia de dengue. Em muitos bairros, foram criados polos de multiplicação da planta. O município também fornece orientação para o plantio, já que o raio de ação da planta como repelente limita-se a cerca de seis metros. 

As escolas do município aderiram ao projeto e 5 mil mudas foram distribuídas aos alunos, durante palestras sobre os cuidados com a dengue. Os próprios estudantes fizeram o plantio em casa ou em áreas verdes da cidade.

Em Guararapes, além do plantio nas casas, a citronela virou adereço de uso feminino. Um fabricante da região desenvolveu pulseiras com os componentes da planta que espantam os mosquitos. No ano passado, as pulseirinhas coloridas viraram febre na cidade. Este ano, com o risco ampliado pelo vírus zika, também transmitido pelo mosquito, a procura pelas pulseiras voltou a crescer. A pulseira não foi submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pois é considerada um enfeite.

O ex-vereador Benedito Oleriano percorre os bairros da periferia de Sorocaba difundindo o uso da citronela contra o Aedes aegypti. Ele já plantou mais de 300 conjuntos de mudas em nove bairros. “Estamos formando grupos multiplicadores para espalhar a citronela”, disse. Sua página em uma rede social traz a opinião de especialistas sobre os efeitos do repelente natural. “A citronela funciona, mas tenho falado aos moradores que sozinha ela não resolve. É preciso continuar eliminando os criadouros”, disse. 

De acordo com o biólogo Paulo César Cunha, especializado em insetos, a citronela é parecida com a erva cidreira, mas não deve ser ingerida. Suas folhas têm componentes como o aldeído citronela e o geraniol que são princípios ativos para repelentes naturais, pois afastam os mosquitos, embora não os eliminem.

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