Cidades paulistas apuram 18 casos de microcefalia

Campinas concentra 10 suspeitas, seguida da capital, com 4; secretário lança plano de enfrentamento do mosquito e do zika vírus

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Pelo menos 18 casos de microcefalia com suspeita de relação com o zika vírus são investigados em cidades paulistas, segundo prefeituras consultadas pelo Estado. Dez foram registrados em Campinas, quatro na capital e o restante na Grande São Paulo e no interior. Nesta segunda-feira, 7, o governo estadual lançou um plano de enfrentamento das doenças causadas pelo Aedes aegypti, que prevê a atuação de policiais militares de folga no combate aos criadouros.

Embora a Secretaria Estadual da Saúde não divulgue quantos casos de microcefalia estão sendo investigados por suspeita de ligação com o zika, cinco prefeituras paulistas já analisam registros do tipo.

Na capital, além dos dois casos já divulgados na semana retrasada, de gestantes vindas de Pernambuco e da Paraíba, mais dois entraram em análise. Em um deles, a grávida veio do Rio Grande do Norte e, após receber diagnóstico de suspeita de microcefalia, passou por avaliação na Santa Casa e no Hospital São Paulo, onde colheu sangue fetal e líquido amniótico, que foram encaminhados para o Instituto Adolfo Lutz. 

O outro caso é de uma moradora de Santos, que foi informada sobre a má-formação em setembro e veio a São Paulo para avaliação no Hospital das Clínicas. O bebê nasceu no início de novembro e segue em acompanhamento na unidade. Em três dos quatro casos, as mulheres apresentaram sintomas de zika no início da gestação.

Duas suspeitas são investigadas em Santo André, no ABC paulista. O primeiro bebê nasceu no dia 17 de novembro. A mãe passou o início da gravidez no Piauí e, no primeiro trimestre da gestação, apresentou febre e manchas pelo corpo. O segundo caso é de uma moradora de Itapeva, no interior, que deu à luz em 28 de novembro em uma maternidade da cidade do ABC. O material colhido das duas crianças também foi enviado ao Adolfo Lutz, que ainda não liberou os resultados.

Há ainda um caso suspeito em Guarulhos, revelado pelo Estado no sábado, outro em Olímpia, no interior, e dez em Campinas. Destes, sete são de mulheres que vivem na própria cidade e outros três são de moradoras de Sumaré, cidade vizinha que registrou caso autóctone (transmissão interna) de zika no primeiro semestre.

Plano. O secretário estadual da Saúde, David Uip, disse nesta segunda que a pasta divulgará casos de microcefalia associados ao zika quando estiverem confirmados e que, por enquanto, o número de más-formações do tipo notificadas em São Paulo está dentro da média: 40 por ano. Embora parte dos 18 casos divulgados pelas prefeituras tenha sido registrada há mais de um mês, nenhum deles consta do mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre microcefalia, que aponta 1.248 casos em 14 Estados. Novo balanço será divulgado nesta terça, 8.

Uip disse que é uma questão de tempo para o problema chegar ao Estado. “Posso afirmar que vamos ter casos de zika aqui em São Paulo e que teremos microcefalia causada pelo vírus zika em São Paulo, senão não estaríamos apresentando um plano.”

Ao lado do secretário, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que 1 mil PMs de folga atuarão no combate aos criadouros no próximo verão por meio de “bicos extras” - a operação delegada. Agentes da Defesa Civil também vão ajudar nas vistorias dos imóveis. Foi anunciada ainda a criação de um fundo de R$ 50 milhões para custear ações de enfrentamento de epidemias.

Alckmin não descartou a criação de lei estadual similar a de municípios que autorizam a entrada forçada de agentes em imóveis fechados ou no quais os donos se recusam a abrir as portas. “Se houver necessidade, pela abrangência da questão epidemiológica, poderemos preparar uma lei estadual, mas talvez não haja necessidade”, disse. A assessoria do governo afirmou que a Procuradoria-Geral do Estado avalia a medida.

 

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