Divulgação/Prefeitura de Presidente Prudente
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Cidades rebaixadas do interior de SP para faixa vermelha vão pedir revisão dos índices

As cidades das regiões de Barretos e Presidente Prudente caíram duas posições, saindo da faixa amarela (3) para a vermelha (1), a de maior restrição

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 19h15

SOROCABA – Prefeitos de ao menos duas cidades que são polos regionais do interior paulista vão pedir revisão dos critérios usados para a mudança de faixa na nova fase do Plano São Paulo, de retomada das atividades econômicas, restritas devido à pandemia do novo coronavírus. A nova classificação foi anunciada nesta quarta-feira, 10, pelo governador João Doria (PSDB).

As cidades das regiões de Barretos e Presidente Prudente caíram duas posições, saindo da faixa amarela (3) para a vermelha (1), a de maior restrição. Já a região de Ribeirão Preto regrediu da faixa laranja (2) para a vermelha. Conforme o governo, a partir de segunda-feira, 15, os municípios dessas regiões terão de fechar as atividades econômicas que estavam abertas.

O prefeito de Barretos, Guilherme Ávila (PSDB), alega que houve erro e que irá comprovar ao Governo do Estado que a cidade tem índices favoráveis para manter o comércio funcionando de forma restrita. “Nós constatamos que houve equívoco em informações fornecidas para a composição de um dos cinco índices que avaliam a situação do município e da região, pois Barretos está numa condição ainda privilegiada no que diz respeito ao número de leitos, registros de novos casos e de novos óbitos", disse o gestor.

Ávila não informou de quem foi o erro, mas afirmou que, com a correção dos números e atualização nos índices é que será decidido se a cidade terá de adotar medidas mais restritivas. Segundo ele, o decreto publicado no dia 29 de maio, que flexibilizou o comércio, continua valendo. Na segunda-feira, 15, serão anunciadas novas medidas de combate à pandemia. A cidade registrou 361 casos e 14 mortes pelo novo coronavírus. Nesta quarta-feira, 10, 12 pessoas estavam internadas, seis em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

O prefeito de Presidente Prudente, Nelson Bugalho (PTB), disse que recebeu o anúncio com surpresa e que, junto com outros prefeitos da região, vai cobrar para que a reclassificação aconteça, ao menos, para a fase laranja, que é a de controle. “Não esperávamos que a região fosse regredir duas fases e ficamos preocupados com a mudança radical, pois muitas empresas fizeram estoque e recontrataram funcionários. Esperávamos permanecer como a maior parte do Estado. Vamos a São Paulo para que seja explicado o porquê de retroceder duas fases e não apenas uma. Vamos questionar com dados”, disse.

A comerciante Catarina Daher, que tem loja no principal shopping da cidade, lamentou o retrocesso. “Tínhamos acertado o retorno dos funcionários, inclusive com a contratação de mais uma pessoa e agora ficou tudo na incerteza outra vez. Pior é que investimos em estoque e no novo visual da loja.”

Presidente Prudente reabriu o comércio no último dia 1.º e registrou seguidas aglomerações no calçadão da região central. O índice de isolamento social é um dos mais baixos do estado – na segunda-feira, ficou em 38%.  A cidade tem 192 casos confirmados e 11 mortes, mas a doença evoluiu nas últimas semanas.

O prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), disse que a cidade acabou prejudicada por um número maior de mortes pelo coronavírus em cidades da região. Com isso, embora a cidade tivesse índice menor, o total de mortes em dez dias subiu 100%. Houve também aumento nas internações hospitalares – a cidade é polo regional. Ele disse que não pretende recorrer à Justiça e, na segunda-feira, editará decreto com as novas medidas de restrição. No mesmo dia em que foi rebaixada de faixa, a cidade passou a marca de 2 mil casos da doença – atingiu 2.028 casos e chegou a 53 mortes.

Em Ribeirão, desde 1.º de junho foram retomadas as atividades de imobiliárias, concessionárias e revendas de veículos, escritórios, comércio de rua e shopping centers, com funcionamento limitado a quatro horas e a 20% da capacidade. A prefeitura permitiu ainda o funcionamento de salões de beleza, bares e restaurantes, atividades não previstas na faixa laranja. O Sindicato do Comércio Varejista e a Câmara de Dirigentes Lojistas lamentaram a reclassificação. A campanha lançada no último fim de semana com o slogan ‘Proteja Vidas e ajude Ribeirão a seguir em frente’, que ajudaria a alavancar as vendas do comércio, será reposicionada.

Fase laranja. A Baixada Santista, a segunda com mais casos de coronavírus no Estado, atrás apenas da região metropolitana de São Paulo, evoluiu da faixa vermelha para a laranja. Os prefeitos dos nove municípios da região tinham reivindicado em conjunto a mudança. O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), disse que, desde o início do Plano São Paulo, a cidade tinha números que a colocava na faixa 2. “Com esta retificação do Governo do Estado seguimos atuantes no enfrentamento e trabalhando com responsabilidade e regras para a reabertura gradual das atividades econômicas.”

Barbosa disse que o acesso às praias continuará controlado. “Seguimos com a força-tarefa fiscalizando o comércio e o cumprimento das regras de reabertura. Temos uma linha tênue entre o avanço e o retrocesso. A postura dos estabelecimentos e dos munícipes será determinante”, disse. Na terça-feira, 9, cinco estabelecimentos foram autuados por abrir fora da regra. Outros quatro foram notificados. A cidade já registrou 5.021 casos e 193 mortes pela covid-19. Outros 24 óbitos são investigados. Havia 463 pacientes internados, com ocupação de 66% dos leitos de UTI.

Na terça-feira, 9, o Tribunal de Justiça de São Paulo pediu a suspensão da reabertura do comércio em São Vicente. A relatora Cristina Zucchini determinou que o município acompanhe as diretrizes do governo estadual. A cidade passou da faixa vermelha para a laranja, mas deverá permanecer com o comércio fechado até segunda-feira, 15. A prefeitura do Guarujá também havia reaberto parte do comércio, contrariando o plano estadual, mas a Justiça determinou o fechamento.

Conforme a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen da Silva, foram observados os índices de ocupação de leitos hospitalares e a evolução da pandemia para a definição das mudanças de faixas no interior. Segundo ela, no caso da região de Presidente Prudente, que saiu da faixa laranja para a vermelha, houve variação de 60% das internações e de 50% no número de óbitos em relação ao período anterior.

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