DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Cidades suspendem ações contra dengue após queda de casos

Algumas prefeituras alegam alto custo com nebulização e ações de retirada de criadouros do mosquito transmissor

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2015 | 20h10

SOROCABA - A diminuição no número de casos está levando prefeituras do interior de São Paulo a reduzir ou suspender as ações de combate ao mosquito da dengue. Algumas cidades alegam o alto custo com a nebulização e ações de retirada de criadouros do mosquito transmissor.

Em São Carlos, a prefeitura não renovou o contrato com a empresa de nebulização contra o mosquito e os trabalhos estão suspensos. Os funcionários terceirizados reclamam da falta de pagamento. A prefeitura alega que uma retenção de recursos pelo governo federal dificulta o pagamento do débito de R$ 507 mil. A cidade registrou mais de 20 mil casos da doença este ano.

Em Bauru, apesar do inverno, foram confirmados esta semana 459 casos novos na cidade, totalizado 7.461 casos este ano, além de cinco mortes. O serviço de nebulização já não é realizado, mas a prefeitura informou que a Divisão de Vigilância Ambiental mantém a vistoria em imóveis. "O órgão volta a insistir que, mesmo com a queda na temperatura, os hábitos de prevenção contra a proliferação do mosquito transmissor devem ser mantidos pela população", informou.

A prefeitura de Marília já retirou de seu site o portal contra a dengue. A última ação contra a doença foi realizada no último dia 2, com a campanha Farmacêuticos contra a Dengue. Em Limeira, os últimos mutirões contra a dengue foram realizados em abril. Até 14 de julho, data da última atualização, a cidade tinha 16.470 casos confirmados, 17 mortes confirmadas e duas aguardando resultados.

Em Sorocaba, os arrastões, bloqueios e retiradas de criadouros continuam, mas as equipes de zoonoses encontram mais resistência por parte dos moradores para vistoriar as casas. "A epidemia terminou, mas ainda estão sendo confirmados alguns casos e não podemos baixar a guarda, sob o risco de termos uma nova epidemia no próximo ano", disse o biólogo da Zoonoses, João Ricardo Ennser. A cidade, uma das mais atingidas no Estado, registrou 52,8 mil casos e 33 mortes. A nebulização está sendo mantida em quatro bairros por semana.

A Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto confirmou 3.061 casos de dengue de janeiro a junho deste ano - 907% a mais que em 2014 - e duas mortes. De acordo com a Vigilância, o município não teve epidemia este ano, mas há risco de ter no próximo verão, pois o mosquito está presente em toda a cidade. Em Americana, houve 845 casos novos este mês, elevando para 7.752 as pessoas infectadas - duas morreram. As últimas ações contra a dengue na cidade ocorreram na primeira semana de junho. 

A Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto iniciou nesta sexta-feira (17) nova frente de trabalho de combate à dengue. Agentes passaram a visitar imóveis fechados que estejam à venda ou para alugar em bairros com maior número de casos da doença. Os ralos estão sendo fechados com adesivos e os vasos sanitários sem tampa, com sacos plásticos.

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