Cientistas apostam em novo tratamento para síndrome de Down

Manipulação de um neurotransmissor poderia melhorar as funções intelectuais das crianças afetadas

Efe,

18 de novembro de 2009 | 17h02

Cientistas americanos desenvolveram em ratos o que poderia ser uma estratégia para combater os efeitos da síndrome de Down nas crianças, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira, 18, na revista "Science Translational Medicine". Os cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford e do Hospital Pediátrico Lucile Packard explicaram que a chave dessa estratégia poderia ser a substância norepinefrina, um neurotransmisor que os neurônios utilizam em sua comunicação.

 

Aplicado em roedores alterados geneticamente para apresentaram os sintomas da síndrome de Down, o aumento da norepinefrina melhorou de maneira considerável a capacidade mental dos ratos, indicaram os cientistas.

 

Ao nascerem, as crianças com síndrome de Down não são intelectualmente incapacitadas, mas os problemas de memorização características da doença afetam a aprendizagem e impedem o desenvolvimento normal.

 

"Se houver uma intervenção com antecipação suficiente poderemos ajudar as crianças com síndrome de Down a recolher e modular informação", disse Ahmad Salehi, investigador do Sistema de Atendimento Médico para Veteranos em Palo Alto, no estado americano da Califórnia. Salehi, principal autor do estudo, disse que, em teoria, a intervenção poderia levar a uma melhora das funções intelectuais das crianças afetadas.

 

Ao administrar precursores de norepinefrina nos roedores com sintomas de Down, os pesquisadores disseram ter resolvido o problema. Poucas horas após consumir a substância, os ratos adquiriram um comportamento normal e o exame direto de suas células mostrou que respondiam positivamente o neurotransmisor aumentado, segundo o estudo. "Nos surpreendeu constatar seu rápido efeito", disse Salehi, que também reconheceu que desapareceu rapidamente.

 

"Os resultados do estudo de Salehi dão uma ponta de esperança e otimismo", disse Melanie Manning, diretora do centro para a doença no Hospital Pediátrico Lucile Packard. "Ainda fica um caminho muito longo a percorrer, mas estes resultados são muito interessantes", acrescentou.

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