Cientistas avançam em pesquisas para salvar demônio da Tasmânia de extinção

Equipe decifra tumores que dizimam espécie; 70% dos animais morrem antes dos 18 meses de vida

Efe,

23 de fevereiro de 2012 | 09h59

  A preservação do demônio da Tasmânia, um animal marsupial que corre risco de extinção e vive no sul da Austrália, pode estar mais próxima pelas pesquisas de cientistas que estudam os tumores que dizimam a espécie.

O enigma desse estranho câncer começa a ser desvendado desde que uma equipe de especialistas liderada pela bióloga Janine Deakin da Universidade Nacional Australiana comparou o genoma de um demônio da Tasmânia saudável com o de outro afetado por essa rara doença, que se alastra rapidamente através do contato.

Os pesquisadores consideraram "que vários fragmentos importantes dos cromossomos haviam sido misturados como um quebra-cabeças montado de modo incorreto", de acordo com um comunicado divulgado pela Universidade.

Em um estudo anterior publicado em fevereiro deste ano na revista científica "PLOS Genetics", a equipe de Janine revelou que os tumores que atingem o demônio da Tasmânia (Sarcophilus laniarius) evoluíram lentamente e variaram muito pouco desde seu surgimento.

"É algo raro, já que geralmente o câncer em humanos evolui rapidamente e há grandes diferenças entre o tumor original e a metástase", explicou a cientista.

A chefe da Escola de Pesquisa Biológica da Universidade destacou que pela investigação confirmaram "que o tipo de tumor contraído pelos exemplares de diabo da Tasmânia é geneticamente muito estável".

Chamado de "Purinina" entre os aborígines, esse marsupial carnívoro que é considerado o mais antigo do mundo, desapareceu da Austrália continental há cerca de 400 anos, supostamente pela perda de seu habitat para o dingo, um cachorro selvagem com um alto índice de reprodução.

Atualmente, o animal vive em estado selvagem em áreas da ilha da Tasmânia e em vários centros especializados criados no continente para isolar os saudáveis dos que têm a doença.

O alarme surgiu em meados da década de 1990 quando foi detectado que esse animal morria por causa de um tumor cancerígeno facial que atingia apenas essa espécie.

Os especialistas estimam que 70% dos demônios da Tasmânia morrem antes dos 18 meses de vida pelo câncer e as mudanças no ecossistema produzidas principalmente pela introdução de espécies invasoras, como a raposa vermelha.

O diabo da Tasmânia, que frequentemente contrai a doença pelas feridas causadas por brigas com animais infectados, começa a manifestar sintomas visíveis desse câncer com o surgimento de tumores na boca que aumentam de tamanho até provocar deformações que o impedem de comer.

Esse carnívoro está incluído na listagem nacional da Austrália de animais em perigo de extinção e também na lista vermelha das Nações Unidas por considerarem que em um prazo de 25 a 35 anos pode desaparecer se não for encontrada a cura para o câncer.

Segundo os pesquisadores, uma eventual extinção desse animal gerará um desequilíbrio no ecossistema da Tasmânia, já que provocará um aumento considerável dos restos do animal nas selvas da ilha e permitirá a multiplicação das chamadas espécies invasoras.

O próximo passo dos cientistas australianos é decifrar a origem e as causas da doença, para salvar o demônio da Tasmânia da extinção e gerar avanços na pesquisa do câncer em humanos.

Em geral, o câncer não é contagioso porque as células cancerígenas são diferentes e quando são transmitidas são rejeitadas pelo sistema imunológico.

Tudo o que sabemos sobre:
demônioTasmâniaextinçãomarsupial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.