Cientistas canadenses produzem sangue a partir de células da pele

No futuro, pacientes com câncer ou anemia poderão ser beneficiados; testes começam em 2012

Agência Fapesp

08 Novembro 2010 | 14h06

SÃO PAULO - Um grupo de cientistas do Canadá descobriu como fazer sangue a partir da pele. Os pesquisadores conseguiram converter fibroblastos humanos (células do tecido conjuntivo) diretamente em geradores de sangue, sem a necessidade de que as células passem por um estágio pluripotente (de diferenciação para um tecido). A novidade foi descrita em artigo publicado no último domingo no site da revista Nature.

Segundo os autores, a conquista poderá levar ao desenvolvimento de fontes de células para aplicações clínicas. No futuro, pacientes que precisem de sangue para cirurgia, tratamento de câncer, anemia ou outra condição poderão ser capazes de ter o sangue criado a partir de células da própria pele. O grupo estima começar testes clínicos em 2012.

A capacidade de reprogramar células em estado pluripotente tem sido limitada pela falta de compreensão do processo por meio do qual essas células se especializam. O pesquisador Mickie Bhatia e colegas da Universidade McMaster usaram o fator de transcrição OCT4 junto com um tratamento específico com citocinas (proteínas ou peptídeos que podem ser produzidos por diversas células) para gerar, em laboratório, progenitores capazes de dar origem a uma ampla gama de células sanguíneas maduras.

As células foram derivadas diretamente de fibroblastos, sem que primeiramente ocorresse a pluripotência. Ou seja, foi possível obter sangue a partir da pele sem precisar do estágio intermediário - de produção de células pluripotentes a partir de células-tronco epiteliais. “Mostramos que o processo funciona com o uso da pele humana e agora queremos melhorá-lo. Pretendemos começar a trabalhar no desenvolvimento de outros tipos de células humanas a partir da pele”, disse Bhatia.

De acordo com o cientista, o método foi testado por diversas vezes nos últimos dois anos, com pele de pessoas jovens, adultas e idosas, demonstrando que funciona para qualquer idade.

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