Scripps Research Institute/Divulgação
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Cientistas convertem célula da pele diretamente em célula do coração

Processo foi realizado diretamente, sem a necessidade de converter células em células-tronco

estadão.com.br,

01 Fevereiro 2011 | 10h47

SÃO PAULO - Cientistas conseguiram converter células adultas da pele diretamente em células do coração com batimento, sem a necessidade de passar primeiro pelo difícil processo de geração de células-tronco. O novo método pode ajudar a desenvolver tratamentos para diversas doenças que envolvam perda ou danos em células (como o mal de Parkinson e Alzheimer). O estudo do Instituto de Pesquisa Scripps foi publicado na revista Nature Cell Biology.

 

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Com o desenvolvimento do corpo humano, as células-tronco embrionárias de multiplicam e se transformam em tipos celulares mais maduros através de um processo conhecido como diferenciação, produzindo todas das diferentes células encontradas no corpo humano. Depois do processo de diferenciação, no entanto, o corpo humano tem uma capacidade limitada para gerar novas células que substituam aquelas que tenham sido danificadas.

 

Dessa forma, cientistas têm tentado desenvolver maneiras de "reprogramar" células adultas humanas para um estado embrionário, ou pluripotente, em que eles possam se dividir e diferenciar em qualquer tipo de célula do corpo. Essa técnica pretende, um dia, usar células do próprio paciente - por exemplo, células da pele - para criar células necessárias do coração ou do cérebro e consertar tecidos danificados.

 

Embora em 2006 um grupo de cientistas japoneses tenham conseguido reprogramar células da pele de ratos, tornando-as pluripotentes com a inserção de apenas quatro genes, a técnica para a criação dessas células em estado embrionário ainda é lenta (leva até quatro semanas) e precisa superar vários obstáculos.

 

Sendo assim, o novo método é uma alternativa interessante porque "pula" o estágio de conversão das células em células-tronco, otimizando o tempo do processo para 11 dias e minimizando os riscos de erros.

 

Os pesquisadores usaram os mesmo quatro genes utilizados para criar das células-tronco, mas ao invés de deixarem que ficassem ativos nas células por diversas semanas, eles "desligaram" suas atividades após poucos dias, muito antes que a célula se tornasse uma pluripotente. Nesse momento, os cientistas deram um sinal para que a célula mudasse de função, tornando-se uma célula do coração.

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