Cientistas criam dezenas de embriões clonados de primatas

Embriões já deram origem a células-tronco, mas não geraram macacos adultos clonados, diz jornal britânico

EFE,

12 de novembro de 2007 | 16h50

 Cientistas dos Estados Unidos e da China conseguiram criar pela primeira vez dezenas de embriões clonados a partir de primatas adultos, o que gera, em muitos, o temor de que se utilize o mesmo procedimento para clonar embriões humanos, segundo notícia divulgada pelo jornal britânico The Independent.    Marcos na história da clonagem   As tentativas de clonar embriões humanos para fins de pesquisa foram prejudicadas várias vezes por problemas técnicos, assim como por controvérsias em torno de pesquisas fraudadas, como a do cientista sul-coreano Hwang Woo-Suk.   Mas a nova técnica, muito parecida com a qual a ovelha Dolly foi criada, pode revolucionar a eficácia com que os especialistas podem transformar óvulos humanos em embriões clonados.   O primata utilizado foi um macaco reso de dez anos, e os resultados da pesquisa serão publicados este mês na revista Nature.   Os cientistas conseguiram extrair células de embriões clonados que se transformaram, em laboratório, em células cardíacas e neurônios cerebrais adultos.   Os pesquisadores afirmam que este é o avanço que todos esperavam, porque até agora existia a sensação de que havia uma barreira insuperável à criação de embriões clonados a partir de primatas adultos.   Segundo o Independent, os cientistas que realizaram o experimento tentaram implantar cerca de cem embriões clonados nos úteros de 50 fêmeas, mas não conseguiram, por enquanto, nenhum filhote clonado.   Um cientista envolvido na pesquisa afirmou, no entanto, que isso se deve simplesmente a um azar, pois para criar, por exemplo, a ovelha Dolly, o primeiro mamífero adulto clonado, foram necessárias 277 tentativas.   O experimento em questão foi dirigido por Shoukhrat Mitalipov, cientista de origem russa que trabalha no Centro Nacional para a Pesquisa sobre Primatas de Beaverton, no Estado americano de Oregon, e que colaborou com um grupo de cientistas chineses.   Mitalipov introduziu um método novo de manipulação dos óvulos de primatas que consiste em extrair o núcleo de um óvulo não fecundado e inserir em seu lugar o de uma célula adulta da pele de um primata adulto.   O cientista russo, que se negou a comentar o estudo até que seja publicado pela Nature, anunciou em uma reunião de especialistas realizada este ano que tinha conseguido dois lotes de células embrionárias a partir de vinte embriões clonados e que as provas efetuadas indicavam que se tratava de clones autênticos.   Segundo o professor Alan Trounson, da Universidade de Monash, em Melbourne (Austrália), a descoberta de Mitalipov representa o esperado avanço.   Apesar das reiteradas tentativas, ninguém tinha conseguido produzir embriões clonados de primatas a partir de células adultas, algo que, no entanto, tinha sido possível com outras espécies.   "Alguns pensavam que seria muito difícil no caso dos macacos - e dos humanos -, mas nós, que trabalhamos com animais como ovelhas e bovinos, opinávamos que as probabilidades de êxito seriam similares", disse Trounson.   Segundo o professor Don Wolf, que esteve à frente do Centro de Pesquisas sobre Primatas de Oregon até se aposentar recentemente, o novo procedimento se baseia em uma técnica microscópica que não utiliza luz ultravioleta nem tinturas, que parecem danificar os óvulos dos primatas.   "É possível que tenhamos tido azar até agora. Estamos produzindo um blastócito normal e capaz de dar lugar a uma gravidez de cada vinte ou trinta embriões clonados, mas talvez não os implantamos no animal no momento certo" para que ocorra a fecundação, explicou Wolf.

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