Cientistas criam galinha transgênica que produz proteína contra câncer

Pesquisadores britânicos anunciaram ontem a criação de uma linhagem de galinhas geneticamente modificadas que podem produzir ovos com drogas de combate ao câncer. Já existem alguns métodos de produção de proteínas terapêuticas com esse fim, como anticorpos monoclonais. Os ingredientes ativos das drogas são geralmente fabricados em quantidades industriais em birreatores contendo uma mistura de bactéria ou outras células que foram modificadas para produzir proteínas complexas. O processo, no entanto, é caro e leva tempo, aumentando o preço do produto final. A expectativa é que a nova pesquisa possa reduzir os custos e o tempo desse processo e auxilie a produção dessas drogas em massa. As galinhas transgênicas foram desenvolvidas no Instituto Roslin, em Edimburgo (Escócia), o mesmo que produziu o primeiro animal clonado - a ovelha Dolly, em 1997. De acordo com a pesquisadora Helen Sang, que liderou o estudo, as aves modificadas podem pôr ovos contendo proteínas medicinais complexas similares às drogas usadas no tratamento de esclerose múltipla, câncer de pele e artrite. Fábrica de remédio Há algum tempo cientistas vêm estudando formas de transformar animais em fábricas de remédios, uma vez que naturalmente eles produzem proteínas. Vacas, ovelhas e cabras já foram geneticamente modificadas para produzir proteínas humanas em seu leite, incluindo insulina e drogas para tratar fibrose cística, além de vacinas. O alvo tem sido a expressão gênica dos tecidos mamários. Agora as galinhas se tornaram a bola da vez por terem ciclos de vida mais curtos e porque a proeza de produzir ovos facilita o procedimento de obtenção da proteína para os remédios. O feito, descrito na edição de hoje da revista PNAS, foi possível a partir da inserção de vírus carregando genes que codificam as proteínas desejadas no material genético das galinhas. Com isso foi possível alterar o gene que produz a ovalbumina, proteína que compõe mais da metade da clara dos ovos. Trabalhando com um grupo de 500 galinhas transgênicas, os cientistas obtiveram de todos os ovos o anticorpo miR24, que tem potencial para tratar melanoma maligno e artrite, e interferon humano beta-1a, proteína do sistema imunológico que ataca tumores e vírus e é matéria-prima de uma droga antiviral que se assemelha bastante com os modernos tratamentos de esclerose múltipla. Depois do processo, os dois puderam ser facilmente separados dos ovos e usados para a produção de remédios.

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2007 | 09h10

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