Fabrizio Bensch/Reuters
Fabrizio Bensch/Reuters

Cientistas criam plataforma para combater fake news sobre o coronavírus

'COVID Verificado' faz checagem de informações científicas em meio à pandemia

Agência FAPESP, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2020 | 11h00

O projeto de um grupo de alunos de mestrado e doutorado do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) busca combater a onda de desinformação sobre a pandemia da covid-19 por meio da plataforma COVID Verificado, que faz a checagem científica de informações relacionadas ao novo coronavírus

Na plataforma, é possível encontrar respostas para algumas das dúvidas mais comuns sobre o SARS-CoV-2, como, por exemplo, o tempo de sobrevivência do vírus em diferentes superfícies, vacinas em desenvolvimento e possíveis tratamentos. As informações são apresentadas de maneira simplificada, com gráficos e imagens para facilitar a compreensão, e sempre indicando as referências científicas.

O site reúne também as principais atualizações sobre novas pesquisas e descobertas relacionadas à COVID-19. Há ainda uma área para o envio de perguntas diretamente para os pesquisadores.

A plataforma COVID Verificado pode ser acessada clicando aqui. Os pesquisadores também mantêm uma página no Instagram e no Facebook. Confira abaixo três checagens feitas pela plataforma:

Existe algum tipo sanguíneo com maior chance de infecção/morte/melhora na infecção pelo coronavírus?

Até o momento, somente um estudo foi feito analisando a relação entre os tipos sanguíneos ABO e a infecção pelo coronavírus atual. É importante destacar que está disponível como pré-publicação, ainda não tendo sido revisada por outros cientistas. Levando isso em conta, é possível que exista um risco aumentado para algum grupo sanguíneo, mas é necessário fazer um estudo de uma escala muito maior, envolvendo outros países, que cheguem à mesma conclusão para que se possa fazer esse tipo de afirmação. De qualquer maneira, não é por esse estudo que se deve tomar menos cuidado caso pertença ao grupo sanguíneo de menor risco.

A luz do sol é capaz de destruir o novo coronavírus?

#Fake! Uma pesquisa realizada nos EUA afirma que o novo coronavírus morre rapidamente após ser exposto à luz solar direta, entretanto a pesquisa ainda não passou pelo processo de revisão por outros cientistas (como toda publicação científica) e ainda não foi publicada em uma revista científica de maneira final. Somente após um processo rigoroso de revisão por outros cientistas e a publicação dos dados, é que podemos avaliar se os resultados são ou não confiáveis. 

A ivermectina é eficaz contra o novo coronavírus e pode ser empregada como tratamento para COVID-19?

#FatoCientífico: Cientistas australianos realmente testaram a ivermectina contra o novo coronavírus. A ivermectina é um medicamento já utilizado para combater alguns vermes e parasitas humanos, como o piolho. No entanto, alguns estudos têm sugerido sua eficácia também contra alguns vírus. Com base nestes estudos, pesquisadores australianos testaram o medicamento em células de laboratório (in vitro) infectadas por SARS-CoV-2 e, de #fato, em 48h o medicamento foi capaz de diminuir a multiplicação do vírus dentro das células. Embora a ivermectina tenha comprovado seu efeito contra o coronavírus em laboratório, ainda são necessários testes clínicos e estudos mais aprofundados de eficácia e dosagem segura em humanos, antes de ser utilizado amplamente como tratamento para a covid-19.

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