Cientistas criam primeiros embriões clonados de macaco

Pesquisadores usaram técnica pioneira e obtiveram células-tronco dos clones de macaco reso

BBC Brasil, BBC

14 de novembro de 2007 | 17h35

Cientistas nos Estados Unidos conseguiram pela primeira vez criar embriões clonados de um macaco adulto e extrair deles células-tronco, usando um sistema pioneiro que pode levar ao desenvolvimento da clonagem para fins terapêuticos e reprodutivos em humanos.    Marcos na história da clonagem A equipe criou dezenas de embriões clonados a partir de um macaco reso macho de dez anos de idade, tirando deles as células-tronco. Até agora, só havia sido possível criar células-tronco embrionárias a partir de camundongos. Durante o processo de clonagem, o DNA de um óvulo é removido e substituído pelo material genético do núcleo de outra célula, que será clonada. Nesse processo, para enxergar melhor o material genético dos óvulos, os cientistas às vezes usam pigmentos ou um sistema de visualização que expõe o material a raios ultravioleta. Mas os pesquisadores - liderados pelo cientista Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciência do Estado americano do Oregon - trabalharam com a hipótese de que essas formas de visualizar o material genético poderiam danificar o óvulo. Eles optaram por empregar então uma técnica que usa luz polarizada para visualizar as células, e descobriram que isso aumentou a taxa de sobrevivência dos clones. Há anos, as pesquisas com clonagem enfrentam o problema da baixa taxa de sucesso na criação dos embriões clonados - para se obter apenas um são normalmente necessários dezenas de tentativas. Mesmo na pesquisa de Shoukhrat Mitalipov foram necessários 304 óvulos para criar apenas duas linhagens de células-tronco. Segundo Alan Trounson, cientista da Universidade Monash, na Austrália, o estudo de Mitalipov representa um avanço há muito esperado pela comunidade científica, já que prova que o conceito de clonagem a partir de células adultas pode ser aplicado a primatas, como já foi aplicado a outros mamíferos. "Nós podemos avançar agora e considerar o que pode ser conquistado em humanos", disse. Cientistas já haviam tentado antes, sem sucesso, clonar primatas, animais geneticamente próximos do ser humano. Em 2003, um pesquisador anunciou que havia fracassado na tentativa de criar clones de macacos após 716 tentativas. Em 2004 uma equipe da Coréia do Sul anunciou que tinha criado os primeiros embriões humanos clonados e extraído células-tronco destes embriões. Mas a pesquisa foi contestada quando foi revelado que o autor do estudo, Hwang Woo-suk, tinha falsificado o trabalho. O único outro exemplo de criação de um clone embrionário humano ocorreu na Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha. Mas os clones sobreviveram por apenas alguns dias e não produziram nenhuma célula-tronco. A equipe de Mitalipov também estudou se a nova técnica poderia ampliar as chances de sucesso de clonagem reprodutiva dos macacos rhesus, mas não obtiveram nenhum caso de sucesso após implantar 77 embriões clonados em fêmeas. Também nesse caso, a taxa de sucesso costuma ser pequena. Para criar a ovelha Dolly - o primeiro mamífero clonado da história, em 1996 - foram necessárias 277 tentativas. As células-tronco podem se desenvolver criando qualquer tipo de tecido e ser usadas em transplantes e tratamentos de doenças como diabetes ou o mal de Parkinson sem risco de rejeição. Com as células-tronco dos rhesus, o grupo de pesquisadores americano conseguiu criar células maduras do coração e células nervosas. A existência da pesquisa foi divulgada inicialmente pelo jornal britânico The Independent, na última segunda-feira, 12, e nesta quarta-feira foi confirmado e publicado na versão online da revista Nature.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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