Cientistas decifram código genético de vírus do resfriado

No caso de patógenos como os vírus, a sequência genética pode ajudar a prever a força de novos agentes

EFE,

13 Fevereiro 2009 | 16h18

Cientistas americanos anunciaram na quinta-feira, 12, que completaram as sequências genéticas dos vírus do resfriado comum, descoberta que pode levar a um tratamento efetivo contra esta doença, segundo eles.   Em um relatório publicado pela revista Science, os cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Maryland e da Universidade Wisconsin-Madison disseram que já contam com "uma árvore genealógica" de quase 100 tipos desses vírus.    A "árvore" mostra o parentesco dos vírus e suas características comuns assim como suas diferenças, o que pode abrir caminho para um instrumento efetivo contra o catarro, indicaram os cientistas.   "Os resfriados podem debilitar pessoas jovens e velhas e desencadear ataques de asma em qualquer idade", assinalou Stephen Ligget, professor de medicina e fisiologia da Escola de Medicina da Universidade de Maryland.   Segundo Ann Palmenberg, do Instituto de Virologia da Universidade Wisconsin-Madison, e autora do estudo, até agora havia somente uma informação dispersa sobre o resfriado comum.   "Não sabíamos como os vírus codificavam toda essa informação. Agora sabemos e estamos reunindo diversos dados", assinalou.   No caso de patógenos como os vírus, a sequência genética pode ajudar a prever a violência potencial de novos agentes da doença, assim como sua vulnerabilidade.   No caso do vírus do resfriado comum, as sequências mostram a que receptores das células ele adere, e essa informação pode ser utilizada para preparar remédios que, por sua vez, poderiam prevenir uma infecção imediata, assinala o relatório sobre o estudo.   "Isto nos proporciona uma base molecular sobre a atividade do remédio e, assim, podemos prever quais remédios os podem eliminar", acrescentou . No entanto, Palmenberg adverte que as sequências também mostram ser improvável que algum dia se produza uma vacina totalmente efetiva contra esses vírus.   "A reserva atual de vírus é enorme e estes tendem a alterar sua sequência quando as células são infectadas por mais de um deles, em um fenômeno que pode causar a formação de novos tipos", indicou.   Os vírus podem recombinar seus genes e "por isso nunca teremos uma vacina para a gripe comum. A natureza é muito eficiente quando se trata de dar uma máscara diferente para cada vírus", disse.

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