Cientistas descobrem 'interruptor' de célula imune a inflamação

Proteína age como 'chave mestra' para glóbulos brancos aumentarem ou diminuírem processo

17 Janeiro 2011 | 22h17

LONDRES - Cientistas encontraram uma proteína que age como uma "chave mestra" para determinar se certos glóbulos brancos do sangue são capazes de aumentar ou diminuir uma inflamação, descoberta que pode ajudar na busca de novos medicamentos para a artrite reumatoide.

Muitos pacientes com a doença são tratados com uma classe de drogas conhecida como fator de necrose tumoral (TNF, na sigla em inglês), inibidores fabricados por laboratórios como Abbott, Merck & Co, Pfizer e Amgen.

Mas cerca de 30% dos portadores não respondem aos medicamentos anti-TNF. Por isso, segundo especialistas, há uma necessidade urgente de desenvolver opções de tratamento mais eficazes.

No estudo, os cientistas do Imperial College de Londres descobriram que a proteína IRF5 atua como um interruptor molecular que controla se determinados glóbulos brancos, conhecidos como macrófagos, vão promover ou inibir uma inflamação.

Em um relato publicado na revista científica Nature Immunology, no último domingo, os autores disseram que os resultados sugerem que bloquear a produção da IRF5 em macrófagos pode ser uma forma eficaz de tratar uma ampla gama de doenças autoimunes, como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, lúpus e esclerose múltipla.

Os pesquisadores também sugerem que impulsionar os níveis de IRF5 pode ajudar a tratar pessoas cujo sistema imunológico esteja fraco, comprometido ou danificado. "Nossos resultados mostram que a IRF5 é a chave mestra de um conjunto importante de células do sistema imunológico, o que determina o perfil dos genes ativados nas células", afirma Irina Udalova, pesquisadora sênior do trabalho.

"Isso é realmente animador, porque significa que, se conseguimos projetar moléculas que interferem na função da IRF5, é possível conceber novos tratamentos anti-inflamatórios para uma ampla variedade de condições", acrescenta.

Os pesquisadores disseram que a IRF5 parece funcionar pela substituição de genes que estimulam a resposta inflamatória e pelo amortecimento dos que a inibem. A proteína pode fazer isso por meio da interação direta com o DNA, ou por meio da interação com outras proteínas que controlam quais genes serão ativados, explicaram os autores.

A equipe de Irina está estudando agora como a IRF5 trabalha no nível molecular e com quais outras proteínas interage, a fim de planejar maneiras de bloquear seus efeitos.

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica que atinge cerca de 1% da população mundial e ocorre quando o sistema imunológico ataca por engano as articulações de todo o corpo.

Além das articulações, a doença pode atingir a pele, o coração, os pulmões, os rins e os vasos sanguíneos. Muitos chegam a sofrer deformidades nas mãos e nos pés, prejudicando habilidades e movimentos.

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