WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Cientistas descobrem pistas de como variante Delta dribla sistema imunológico

Pesquisadores também testaram resposta imune de pacientes com uma e duas doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca contra as variantes Beta e Gama

Apoorva Mandavilli, The New York Times

10 de julho de 2021 | 05h00

A variante Delta do coronavírus pode escapar de anticorpos que têm como alvo certas partes do vírus, de acordo com um novo estudo publicado quinta-feira, 8, na revista científica Nature. A descoberta explica a eficácia diminuída das vacinas contra a Delta, em comparação com outras variantes.

Acredita-se que a variante, identificada pela primeira vez na Índia, seja cerca de 60% mais contagiosa do que a Alpha, a versão do vírus que assolou a Grã-Bretanha e grande parte da Europa no início deste ano, e talvez duas vezes mais contagiosa que a versão original do vírus que causa a covid-19.

A variante Delta atualmente está provocando surtos entre as populações não vacinadas de países como Malásia, Portugal, Indonésia e Austrália.

E, neste momento, é a variante dominante nos Estados Unidos. As infecções no país têm se estabilizado em seus níveis mais baixos desde o início da pandemia, e apesar de os números talvez estarem aumentando, ao mesmo tempo, as hospitalizações e as mortes relacionadas ao vírus continuam a diminuir de forma acentuada. Isso se deve em parte às taxas relativamente altas de vacinação: 48% dos americanos estão totalmente imunizados e 55% receberam pelo menos uma dose.

Mas o novo estudo descobriu que a Delta quase não era sensível a uma dose de vacina, confirmando pesquisas anteriores que sugeriam que a variante pode driblar parcialmente o sistema imunológico - embora em menor grau que a Beta, a variante identificada pela primeira vez na África do Sul.

Os pesquisadores franceses testaram até que ponto os anticorpos produzidos pela infecção natural e pelas vacinas contra a covid-19 neutralizam as variantes Alfa, Beta e Delta, assim como uma variante de referência semelhante à versão original do vírus. Eles analisaram amostras de sangue de 103 pessoas que tinham sido infectadas pelo novo coronavírus. O estudo descobriu que a variante Delta era muito menos sensível do que a Alpha às amostras de pessoas não vacinadas neste grupo.

Uma dose de vacina aumentou significativamente a sensibilidade, sugerindo que as pessoas que se recuperaram da covid-19 ainda precisam ser vacinadas para evitar algumas variantes.

A equipe também analisou amostras de 59 pessoas após terem recebido a primeira e a segunda doses das vacinas AstraZeneca ou Pfizer/BioNTech.

As amostras de sangue de apenas 10% das pessoas imunizadas com uma dose das vacinas AstraZeneca ou Pfizer-BioNTech foram capazes de neutralizar as variantes Delta e Beta em experimentos de laboratório. Mas uma segunda dose aumentou esse número para 95%. Não houve grande diferença nos níveis de anticorpos provocados pelas duas vacinas.

"Uma única dose de Pfizer ou AstraZeneca foi pouco ou quase nada eficiente contra as variantes Beta e Delta", concluíram os pesquisadores. Dados de Israel e da Grã-Bretanha apoiam amplamente esta descoberta, embora esses estudos sugiram que uma dose da vacina ainda é suficiente para prevenir a hospitalização ou morte causada pelo vírus.

A variante Delta também mostrou-se resistente ao medicamento bamlanivimab, o anticorpo monoclonal fabricado pela Eli Lilly, de acordo com o novo estudo. Felizmente, três outros anticorpos monoclonais testados no estudo mantiveram sua eficácia contra a variante.

Em abril, citando o aumento de variantes resistentes ao bamlanivimab, a agência que regulamenta medicamentos nos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) revogou a autorização para uso emergencial dele como tratamento único de pacientes com covid-19. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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