Cientistas descobrem possível tratamento contra o câncer de pele

Radiação ultravioleta sobre o organismo estimula glóbulo branco que favorece melanomas

Efe

19 Janeiro 2011 | 20h48

LONDRES - Um grupo de cientistas demonstrou que bloquear a atividade da proteína interferon gama (IFN-gama) com remédios pode ser útil para o tratamento do câncer de pele, segundo a última edição da revista Nature.

A equipe, liderada pelo cientista Glenn Merlino, fez vários testes em ratos e observou como a radiação ultravioleta sobre o organismo desencadeia a produção de um tipo de glóbulo branco denominado macrófagos, o que favorece a criação da interferon gama e o desenvolvimento de melanomas.

Merlino, do National Câncer Institute de Maryland (EUA), garante que bloquear com anticorpos a interferon gama, uma proteína de tipo II, inibe o crescimento anômalo de células na pele - enquanto bloquear da mesma forma interferons de tipo I não produz esse efeito.

Ao contrário, considera-se que os interferons de tipo I são moléculas que impedem o desenvolvimento de tumores, a ponto de uma delas, a IFN-alpha, ser utilizada clinicamente para tratar o melanoma.

Desse modo, a ideia de que a IFN-gama favorece o progresso dos tumores cancerígenos significa uma "potencial mudança de paradigma" nesse campo da medicina e um importante avanço tanto na prevenção como no tratamento do câncer de pele, aponta Merlino na publicação.

Apesar de a comunidade científica aceitar que existe uma relação entre a radiação ultravioleta e a formação de melanomas, o mecanismo subjacente a essa associação ainda não está descrito de maneira exaustiva, aponta o estudo.

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