TV Estadão | 03.02.2016
TV Estadão | 03.02.2016

Cientistas desenvolvem camundongo que é infectado por zika

Novo modelo permitirá testar candidatas a vacinas e drogas

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

28 Março 2016 | 19h58

Um grupo de cientistas da Universidade do Texas (Estados Unidos) desenvolveu o primeiro modelo de camundongos transgênicos para o estudo da infecção por zika. De acordo com os pesquisadores, o novo modelo elimina um dos principais gargalos para o avanço das pesquisas sobre a zika. Até agora os cientistas não tinham à disposição modelos apropriados para simular a infecção pelo vírus em animais. 

O novo modelo animal foi descrito em artigo publicado hoje na revista American Journal of Tropical Medicine and Hygiene. De acordo com os autores do estudo, várias instituições e empresas estão desenvolvendo candidatas a vacinas e drogas contra a zika, mas não poderiam testá-los sem um modelo animal adequado.

"Há uma imensa demanda para selecionar drogas contra o vírus que acabou represada porque não havia uma boa maneira de testá-las. Sem esse modelo, realmente estávamos estagnados em nossos esforços para buscar novos tratamentos", disse Shannah Rossi, autora principal do estudo e pós-doutoranda na Universidade do Texas, em Galveston.

"É possível investigar a eficácia de drogas em culturas de células, mas essa técnica não nos diz quase nada sobre o que acontecerá quando a droga for testada em camundongos ou humanos. O novo modelo vai ajudar a acelerar as pesquisas com candidatas a drogas e vacinas", disse Shannah.

Corrida. Segundo a pesquisadora, com a epidemia de zika em curso, grupos de cientistas em todo o mundo estão se dedicando a uma "corrida" para desenvolver novos tratamentos com rapidez. 

"Normalmente, criar um modelo de camundongos como esse levaria vários meses. Mas a urgência da situação nos pressionou a dar uma resposta rápida e nós conseguimos reunir nossos resultados em apenas três semanas", afirmou Shannah.

Os cientistas da Universidade do Texas injetou uma amostra do vírus zika isolada na Ásia, em 2010, em diversas variedades geneticamente distintas de camundongos de laboratório. A atual epidemia na América do Sul é provocada pela linhagem asiática do vírus.

Os camundongos normais não desenvolvem a doença após a infecção pelo vírus zika, segundo os pesquisadores. Mas, quando eles injetaram o vírus em um camundongo que havia sido modificado geneticamente para ter uma deficiência em sua resposta imune inata, o animal desenvolveu a doença.

Segundo os pesquisadores, os camundongos jovens dessa linhagem transgênica são altamente suscetíveis à infecção. Os animais ficaram letárgicos, perderam peso e morreram seis dias após a infecção. Os camundongos mais velhos ficaram doentes, mas nem sempre desenvolveram a infecção e, quando a desenvolviam, acabavam se recuperando.

Como se sabe tão pouco sobre o comportamento do vírus uma vez que ele penetra no organismo, os cientistas usaram o novo modelo para buscar evidências de infecção viral nos órgãos dos animais. Eles descobriram partículas virais nos principais sistemas de órgãos, com níveis mais altos no baço, no cérebro e nos testículos.

Embora os estudos sejam preliminares, os cientistas dizem que esses resultados corroboram a suspeita de que o vírus pode ser transmitido sexualmente. O fato de encontrar o vírus no cérebro também pode ser importante, já que a infecção por zika tem sido a associada a casos de microcefalia no Brasil.


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