Cientistas desvendam genoma de dois tipos de câncer

Pesquisadores indicaram novos caminhos para medicamentos contra a doença, que é ainda mais complexa

Reuters

04 de setembro de 2008 | 16h51

Peritos em câncer que testaram cada um dos genes de tumores de dois dos tipos mais difíceis de serem tratados descobriram que o câncer é muito mais complicado que qualquer um pensava - e disseram ter descoberto por que a cura é tão improvável depois que um tumor se espalha.  Mas eles também descobriram uma potencial nova forma de tratamento para uma forma comum e fatal de tumor cerebral, abrindo uma porta para encontrar o câncer antes que ele tenha se espalhado, enquanto ainda pode ser curado cirurgicamente, relatam nesta quinta-feira, 4, na revista Science.  "O câncer é muito complexo - mais complexo que acreditávamos. Não vai ser fácil desenvolver terapias", disse Bert Vogelstein da Universidade Johns Hopkins. "Se você tem 100 pacientes, você tem 100 doenças diferentes", acrescentou.  As descobertas sugerem que populares novas terapias, como o Gleevec, da Novartis, podem não funcionar de maneira geral, porque atingem apenas um gene mutante, enquanto o câncer pode ser causado por dezenas deles.  Uma melhor maneira de abordar o problema seria encontrar os caminhos nas redes de genes que controlam o crescimento sem limite de um tumor e a maneira como ele se espalha, disseram os cientistas responsáveis pela pesquisa.  A equipe internacional seqüenciou os mais de 20 mil genes de 24 pacientes com câncer pancreático avançado e de 22 pacientes com glioblastoma multiforme.  O tumor pancreático típico tinha 63 mutações genéticas, enquanto a média para o tumor cerebral foi de 60, descobriram.  A boa notícia é que eles encontraram apenas 12 caminhos genéticos anormais na maior parte dos tumores. Alguns estavam em áreas esperadas, como na regulação do suicídio celular programado, processo pelo qual células anormais se autodestroem.  Caminhos comuns "Freqüentemente, o que pareciam ser mutações em genes díspares revelou estar funcionando em caminhos comuns", disse Kenneth Kinzler da Johns Hopkins. Uma descoberta surpreendente foi um novo gene chamado IDH1 encontrado no glioblastoma multiforme, o tipo mais comum de tumor cerebral e que geralmente mata os pacientes dentro de um ano, disse Victor Velculescu, também da Hopkins. Os pacientes com essas mutações eram mais novos e viviam mais que um paciente típico com tumor cerebral.  "Acreditava-se que glioblastomas multiformes eram uma doença. Agora está claro que são duas", disse Velculescu. Vogelstein disse que as descobertas sugerem que empresas farmacêuticas devem mudar sua abordagem no desenvolvimento de novos medicamentos contra o câncer. Enquanto Gleevec, uma pílula, transformou o tratamento de um câncer de sangue chamado de leucemia mielóide, "nosso trabalho sugere que a maior parte dos tumores mais sólidos realmente nada têm a ver com essa leucemia", disse.  "É extremamente improvável que drogas que visam apenas um gene como Gleevec sejam ativas contra a maior parte dos tumores sólidos. Ao invés de buscar drogas contra proteínas individualmente, nosso trabalho sugere que pode ser mais produtivo buscar medicamentos que ajam contra esses caminhos genéticos", disse.  As descobertas também sugerem melhores maneiras de buscar células cancerígenas, acrescentou. "Nosso grupo, assim como outros, descobriu que você pode detectar mutações fora das células, flutuando no plasma, em virtualmente todos os pacientes com câncer colo-retal avançado e em cerca de dois terços daqueles com tumores relativamente novos." "Logo será possível detectar essas mutações em muitas outras amostras dos pacientes, como em seu sangue, mesmo quando tumores forem pequenos. Praticamente todos os tumores e mesmo aqueles do pâncreas e do cérebro seriam curáveis se os encontrássemos no início."

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