Cientistas detectam efeitos colaterais em remédios contra o câncer

Medicamento bevacizumab usado na quimioterapia pode causar lesões hepáticas graves

Efe

10 Junho 2010 | 21h22

WASHINGTON - Cientistas dos Estados Unidos advertiram nesta quinta-feira, 10, que o medicamento bevacizumab usado na quimioterapia contra o câncer pode causar lesões hepáticas graves e comprometer a eficácia do tratamento.

 

Em um estudo publicado na revista Journal of the American Society Nephrology, os cientistas do Centro Oncológico da Universidade de Stony Brook, assinalam que os médicos devem observar estreitamente a saúde hepática de seus pacientes quando receitam esse remédio, que é um inibidor angiogênico.

 

O remédio aplicado bloqueia a ação de uma proteína chamada fator de crescimento endotelial, que inibe a produção de copos capilares em torno dos tumores.

 

No entanto, segundo os cientistas, o bevacizumab pode provocar a perda de proteína na urina (proteinúria), assim como lesões hepáticas.

 

Os cientistas do Centro Oncológico da universidade analisaram os históricos médicos de 12.268 pacientes que tinham diversos tipos de tumores. Segundo os resultados, verificou-se a proteinúria em 2,2% dos pacientes que recebiam bevacizumab.

 

Em comparação com aqueles que recebiam um tratamento de quimioterapia sem esse remédio, o perigo de desenvolver proteinúria grave aumentou 4,79 vezes.

 

O perigo de desenvolver síndrome nefrótica aumentou 7,78 vezes, síndrome que reúne uma série de sintomas entre os que incluem filtragem de proteína na urina, baixos níveis de proteína no sangue, altos níveis de colesterol triglicerídios e inflamação.

 

Quando os cientistas analisaram os tipos de câncer, descobriram que os pacientes com maior risco de desenvolver proteinúria (10,2%) eram aqueles que sofriam de câncer hepático.

 

Os resultados assinalam que é especialmente importante observar os efeitos do bevacizumab em pacientes com câncer hepático ou que estejam recebendo o medicamento em altas doses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.