Cientistas e empresas unem forças para pesquisar doenças

Parceria vai investir US$ 230 milhões no estudo de Alzheimer, diabetes tipo 2, artrite reumatoide e lúpus

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2014 | 14h26

Uma parceria da indústria farmacêutica com organizações filantrópicas e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos vai investir US$ 230 milhões na pesquisa de novas terapias para cinco doenças: Alzheimer, diabetes tipo 2, artrite reumatoide e lúpus.

O foco das pesquisas será na identificação e validação de alvos biológicos (chamados biomarcadores) associados a essas doenças. Ou seja: na busca de moléculas que estejam alteradas nos pacientes e que possam servir como indicadores clínicos para diagnóstico ou como alvos de drogas para tratamento.

O consórcio, batizado de Parceria para Aceleração da Medicina (AMP, em inglês), conta com a participação de 10 empresas farmacêuticas. Um dos pontos diferenciais da iniciativa, segundo o NIH (que é o maior órgão financiador de pesquisas biomédicas nos EUA), é que todas as informações geradas pelas pesquisas serão distribuídas abertamente para toda a comunidade científica mundial, e não apenas publicadas por meio de trabalhos em revistas especializadas, como é feito normalmente.

"Atualmente, investimos muito tempo e dinheiro em procedimentos com alto índice de fracasso. Enquanto isso, os pacientes e suas famílias aguardam (soluções). Todos os setores da área biomédica concordam que novas estratégias são extremamente necessárias", diz o diretor do NIH, Francis Collins, em texto divulgado pela instituição.

Muitos biomarcadores são identificados rotineiramente por meio de pesquisas básicas na academia, mas apenas uma porção pequena deles é selecionada para pesquisas mais aplicadas na indústria, e apenas uma porção muito menor chega a produzir algum resultado prático para a medicina. Segundo o NIH, o desenvolvimento de um novo medicamento ou terapia consome, tipicamente, mais de dez anos de pesquisa, e a taxa de sucesso é de apenas 5%. Em outras palavras: 95% dos projetos fracassam em algum momento ao longo desse percurso. Consequentemente, cada sucesso custa, em média, mais de US$ 1 bilhão para ser desenvolvido. Por isso a identificação e seleção dos melhores biomarcadores é tão essencial.

Os investimentos serão distribuídos para projetos de pesquisa ao longo de cinco anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.