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Cientistas encontram ligação entre depressão e genética

Genes são responsáveis por 40% do risco em desenvolver a doença

Reuters

16 Maio 2011 | 12h53

LONDRES - Cientistas disseram que descobriram a primeira evidência sólida de que variações nos genes de algumas pessoas podem causar depressão, uma das doenças mentais mais comuns e dispendiosas.

E em uma ocorrência rara na pesquisa genética, a descoberta sobre a ligação de uma região do DNA com a depressão de uma equipe internacional liderada por pesquisadores britânicos foi replicada por outra equipe dos Estados Unidos, em um grupo de estudos completamente diferente.

O que é interessante é que ambos os grupos encontraram a ligação exatamente na mesma região nos dois estudos", disse Pamela Madden, que liderou a pesquisa da equipe norte-americana na Universidade de Washington.

Os pesquisadores disseram que esperam que as descobertas aproximem os cientistas do desenvolvimentos de tratamentos mais efetivos para pacientes com depressão, considerando-se que os atuais dão resultados em apenas metade dos casos.

"Estas descobertas nos ajudará a monitorar os genes específicos que sofreram alteração nas pessoas com a doença", disse Gerome Breen, do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, que liderou a pesquisa do outro grupo.

Os pesquisadores disseram acreditar que vários genes estão envolvidos com a depressão.

Os achados não irão beneficiar os pacientes imediatamente, novos medicamentos devem demorar entre 10 e 15 anos para serem desenvolvidos. No entanto, eles ajudarão os cientistas a entenderem o que está acontecendo nos níveis genéticos e moleculares nas pessoas com depressão.

O primeiro estudo analisou mais de 800 famílias com depressão recorrente, enquanto que o segundo examinou a depressão e hábitos de fumo em diversas famílias da Austrália e da Finlândia.

Os dois estudos foram publicados na revista científica American Journal of Psychiatry neste domingo, 15, e ambos grupos reportaram uma ligação forte entre a depressão e as variações genéticas em uma região conhecida como cromossomo 3p25-26.

"Normalmente, nos estudos sobre depressão, as replicações das descobertas são incomuns e levam anos para aparecerem, se aparecem", disse Breen.

A depressão afeta cerca de 20% das pessoas em algum momento da vida. Depressão severa e recorrente afeta mais de 4% das pessoas e é de difícil tratamento.

A Organização Mundial da Saúde prevê que a depressão irá rivalizar com as doenças cardiovasculares como o distúrbio com o maior número de casos no mundo por volta de 2020.

Estudos de famílias com depressão indicaram que a desordem tem ligação genética e que os genes são responsáveis por 40% do risco de desenvolver a doença, o restante é influenciado pelo ambiente onde a pessoa vive e outros fatores externos.

A equipe liderada por Breen está conduzindo atualmente estudos de sequenciamento genético em 40 das famílias envolvidas na primeira pesquisa para tentar achar os genes específicos e as variações envolvidas com a doença.

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