Cientistas estudam uso de robôs para ajudar no combate ao Ebola

Especialistas irão promover encontros para ter ideias que poderão ser aplicadas no combate à epidemia que atingiu os países africanos

O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2014 | 16h04

NOVA IORQUE - Cientistas consideram a possibilidade de que a tecnologia robótica implantada em situações de desastre ajude a conter a epidemia de Ebola. Reportagem do jornal americano The New York Times aponta que o uso desse tipo de tecnologia poderia auxiliar em trabalhos como enterro de corpos e retirada de lixo, representando um significativo potencial de redução de infecção.

Os especialistas estão planejando uma série de reuniões onde serão discutidas essas ideias. O primeiro encontro deverá ocorrer no dia 7 de novembro em quatro diferentes localidades dos Estados Unidos: Instituto Politécnico de Worcester, em Massachusetts, Texas A&M, Universidade da California e em Washington.

O problema é que a tecnologia continua limitada na área da medicina. Enquanto robôs conseguem desarmar bombas e dirigir carros, eles ainda estão nas primeiras tentativas para adquirir a destreza requerida no tratamento médico.

"Você vê a situação que as equipes médicas estão enfrentando e eu não sei se a robótica é uma solução", disse ao The New York Times Taskin Padir, professor assistente de Engenharia Robótica em Worcester e organizador de um dos encontros.

Ainda assim, ele tem considerado maneiras de redirecionar um projeto de robô existente como um instrumento para a realização de tarefas de forma mais segura de descontaminação, como a pulverização da solução de água sanitária em roupas expostas a fluidos corporais infectados.

"Assim como foi o caso em Fukushima, a crise de Ebola na África revelou uma diferença significativa entre as capacidades do robô e o que é necessário no campo de alívio de desastres e assistência humanitária", disse Gill A. Pratt, roboticista gerente do programa federal da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, em inglês). "Temos a obrigação moral de tentar selecionar, adaptar e aplicar a tecnologia disponível onde um robô pode ajudar, mas também devemos apreciar a dificuldade do problema."

Muitos dos países que sofrem com a epidemia de Ebola não estão em condição para implantar robôs. Mas os modelos rudimentares são amplamente utilizados em ambientes médicos nos Estados Unidos, e os administradores do hospital estão tentando chegar aos fabricantes.

O telefone não parou de tocar nas últimas semanas, conta Yulun Wang, chefe executivo do InTouch Health, em Santa Barbara, ao The New York Times. A empresa fabrica robôs de telepresença utilizados em hospitais para diagnóstico de AVC e outras doenças.

Clientes como o Hospital Universitário Robert Wood Johnson e Hospital Universitário Baylor estão se perguntando se os robôs podem ser usados para ajudar no diagnóstico do Ebola sem a presença humana, ou para facilitar a visita virtual das famílias a pacientes em isolamento.

"Eles adquiriram nossas soluções para um propósito muito diferente, e agora eles estão se perguntando se eles são aplicáveis para os cuidados de Ebola", conta Wang.

A companhia constrói robôs que trafegam entre os corredores dos hospitais guiados por um médico, que "assiste" a tudo via internet. Com o auxílio de vídeo e áudio de alta qualidade, os robôs também poderiam ser programados para treinar profissionais de saúde, disse Wang.

Robôs poderão ser programados para fornecer listas interativas de checagem ao pessoal médico que estão colocando e tirando roubas de proteção, como pilotos fazem em uma aeronave com listas para decolagem e pouso.

A presença de robôs que se movem sem guia humano estão apenas começando a aparecer em laboratórios. Um robô que pudesse trabalhar em contato próximo com o paciente, substituindo um enfermeiro ou um médico, ainda está bastante distante.

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