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Cientistas europeus confinam átomos de antimatéria por 16 minutos

Segundo os cientistas, átomos de anti-hidrogênio foram confinados por tempo suficiente para poder começar a estudá-los

Efe,

06 Junho 2011 | 10h00

GENEBRA - O Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) anunciou neste domingo, 5, em Genebra que cientistas do grupo conseguiram pela primeira vez confinar átomos de antimatéria durante mais de 16 minutos, um tempo suficiente para começar a estudar suas propriedades em detalhe.

 

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"Conseguimos manter os átomos de anti-hidrogênio durante mil segundos. Isso é suficiente para poder começar a estudá-los, mesmo com a pequena quantidade deles que conseguimos captar até agora", disse o porta-voz do chamado experimento Alpha, Jeffrey Hangst, vinculado ao Cern.

 

O objetivo de produzir átomos de antimatéria é estudar por que a natureza se formou pela matéria, enquanto, durante o Big Bang - fenômeno que deu início ao universo -, a matéria e a antimatéria existiam em quantidades iguais.

 

A antimatéria, uma espécie de "espelho" da matéria, representa uma das grandes incógnitas do universo. Atualmente, ela parece ter desaparecido, e um dos desafios dos cientistas é conseguir entender o que ocorreu há 14 bilhões de anos, no momento da criação do universo.

 

A matéria e a antimatéria são idênticas, mas com cargas elétricas opostas, e se aniquilam quando entram em contato.

 

Segundo o Cern informou, os cientistas conseguiram estudar cerca de 300 antiátomos obtidos. A pesquisa permitirá comparar com precisão o átomo de anti-hidrogênio com o de hidrogênio e verificar as diferenças entre eles.

 

Além disso, os antiátomos produzidos poderão fornecer novos dados para medir a influência da gravidade na antimatéria.

 

Outra das consequências de capturar antiátomos durante um período longo de tempo é que o experimento Alpha poderá realizar com precisão as medidas necessárias para estudar simetrias, que na física descrevem como se desenvolvem os processos sob certas transformações.

 

Tudo isso permitirá que, no final do ano, se possa começar a fazer medições na antimatéria capturada, "de modo que se poderá, pela primeira vez, olhar dentro da estrutura do anti-hidrogênio, que é o elemento número 1 da tabela antiperiódica", explicou Hangst.

 

Acelerador de prótons. A pesquisa desenvolvida pelo laboratório europeu de partículas Cern sobre o acelerador de prótons poderia desvendar alguns mistérios sobre a formação do Universo, segundo consideram os cientistas que participam do estudo.

 

Cerca de cem físicos examinam na cidade espanhola de Santiago de Compostela (noroeste), os progressos do grande colisor de hádrons (LHC, sigla em inglês), durante congresso internacional Löw-x 2011 Meeting 2011.

 

O LHC, que produz centenas de milhões de choques frontais de partículas a uma velocidade próxima à da luz para analisar sua reação, poderia aumentar nos próximos meses a energia e luminosidade para finalmente alcançar o pleno rendimento do experimento e assim poder examinar depois os dados.

 

Especialistas consultados afirmaram que uma vez que o LHC, alcançar sua total capacidade no choque entre prótons, terá resultados sobre a existência da partícula de Higgs no modelo padrão da física de partículas e a busca da partícula extra simétrica.

 

O doutor Alan Martin, da Universidade de Durkam (Reino Unido), indicou que o LHC "está funcionando excepcionalmente bem", inclusive "melhor do que o esperado" para um experimento deste tipo, mas ressaltou que os cientistas tentam ver como ordenar a informação que gerarão essas explosões.

 

"O mais simples que podemos encontrar é o Bosón de Higgs mas, se não o encontrarmos, será ainda mais interessante porque então poderíamos descobrir algo novo", indicou.

 

Matin assinalou que "outra busca dos teóricos é a partícula supersimétrica ou extra partícula", considerada como "a última simetria da natureza", e mais difícil de achar.

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