Reprodução/BBC
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Cientistas franceses desenvolvem nova técnica de 'camuflagem térmica'

Objetos podem passar despercebidos por dispositivos de captação de altas temperaturas

BBC

27 de março de 2012 | 17h00

Cientistas franceses apresentaram um modo de "camuflar" o calor de objetos, segundo a publicação científica Optics Express, especializada no assunto. A ideia, de acordo com a revista, vai além de encontrar um modo de fazer objetos não serem captados por dispositivos que detectam altas temperaturas via imagem.

 

Desde 2006, quando ganhou força o conceito de transformação ótica, que propôs meios para que fosse criada um tipo de camuflagem ótica, a pesquisa da área se desenvolveu, mas as experiências entretanto esbarravam em questões técnicas. Recentemente, entretanto, algumas ideias similares foram usadas para "esconder" objetos de campos magnéticos ou mesmo ondas sonoras.

 

Todas essas ideias têm como base a manipulação de ondas para conseguir o efeito de camuflagem. Mas para Sebastien Guenneau, do Institut Fresnel, da França, explica que lidar com o calor é diferente. "O calor não é uma onda. Ele simplesmente de difunde de regiões quentes para as frias", disse.

 

O físico continua. "A matemática e a física têm um papel muito diferente. Por exemplo, uma onda pode viajar por longas distâncias com poucos fatores de atenuação, enquanto a temperatura de difunde por pequenas áreas", detalha.

 

O desafio foi aplicar a matemática das transformações óticas às equações que descrevem as difusões. O resultado obtido pelo doutor Guenneau e seus colegas foi um modo de fazer o calor se dissipar sem dificuldades.

 

O experimento envolveu uma técnica fundamentalmente diferente dos dispositivos de térmicas que ativamente esquentam e resfriam o objeto para "escondê-lo". Com a nova técnica, os pesquisadores propõem uma capa composta por 20 anéis, cada um feito de um material com um nível de dissipação de calor diferente do outro.

 

"Podemos fazer uma capa que dissipa o calor para uma região invisível, que fica protegida das altas temperaturas", diz Guenneau. "Ou podemos fazer o calor se concentrar em um volume bem pequeno, que então esquentará rapidamente", completa.

 

É a capacidade de direcionar e concentrar calor que deve encontrar suas primeiras aplicações práticas, por exemplo, na indústria de microeletrônicos, onde o controle da carga de calor em determinadas áreas ainda é um desafio para os engenheiros.

 

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