Cientistas holandeses e alemães descobrem gene do AVC

NOX4 produz água oxigenada e é responsável pela morte de neurônios

Agência Fapesp

22 Setembro 2010 | 18h50

SÃO PAULO - Um gene responsável pela morte de células cerebrais após um episódio de acidente vascular cerebral (AVC) foi descoberto por um grupo formado por cientistas holandeses e alemães. A descoberta será publicada em breve na revista PLoS Biology.

O gene NOX4 produz peróxido de hidrogênio, uma molécula cáustica muito usada em solução aquosa e conhecida popularmente como água oxigenada. Segundo o estudo, a inibição do NOX4 por uma droga experimental em camundongos que sofreram AVC reduziu drasticamente os danos ao cérebro e preservou funções, mesmo quando administrada horas após o episódio.

“O AVC isquêmico [com interrupção do fluxo sanguíneo em uma região do cérebro] é a segunda principal causa de morte em todo o mundo e, atualmente, conta com apenas uma terapia aprovada. A eficácia dessa terapia é moderada e ela só pode ser usada em cerca de 10% dos pacientes. Os outros 90% são excluídos por contraindicações”, explicou Christoph Kleinschnitz, da Universidade de Würzburg, na Alemanha, um dos coordenadores da pesquisa.

“Há uma grande necessidade por melhores terapias para o AVC, e um mecanismo candidato é o "estresse oxidativo". Entretanto, abordagens para aplicar antioxidantes têm falhado em testes clínicos. Nosso trabalho propõe uma estratégia nova, que implica a inibição da fonte relevante de peróxido de hidrogênio e na prevenção de sua formação”, disse.

A pesquisa teve outro resultado importante: a eliminação do gene NOX4 em camundongos não resultou em qualquer anomalia. Isso, segundo os cientistas, diminui as chances de que futuras drogas inibidoras da enzima tenham efeitos colaterais.

“Nossos resultados terão implicações para outros estados não sadios, nos quais suspeitamos que o peróxido de hidrogênio e radicais relacionados tenham papel importante e que, até o momento, se mostraram refratários a terapias com antioxidantes ou vitaminas”, afirmou Harald Schmidt, professor da Universidade Maastricht, na Holanda, outro coordenador do estudo.

Entre os problemas de saúde para os quais a inibição do NOX4 representa uma alternativa a ser investigada estão, segundo ele, câncer, mal de Parkinson, Alzheimer e doenças cardiovasculares.

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