Prapan Chankaew/Reuters
Prapan Chankaew/Reuters

Cientistas identificam relação entre coronavírus e um dos animais mais traficados da Ásia

Pangolim é vendido ilegalmente para consumo humano e retirada de suas escamas para uso medicinal; animal seria intermediário na transmissão do vírus entre morcegos e humanos

Redação, AFP e Reuters

07 de fevereiro de 2020 | 12h57

LONDRES E PEQUIM - Cientistas independentes de uma universidade do sul da China divulgaram nesta sexta-feira, 7, uma pesquisa que associa o surto do novo coronavírus ao tráfico ilegal de pangolins. Segundo o estudo, o animal - que é ameaçado de extinção - seria um hospedeiro intermediário do vírus entre os morcegos e os humanos, sem apresentar sintomas da doença.

Segundo comunicado da equipe de pesquisadores, a descoberta tem “grande significado para a prevenção e controle da origem" (do surto). A sequência do genoma do coronavírus identificado em pangolins analisada pelos cientistas aponta 99%  de similaridade com a do surto em humanos. 

Os cientistas analisaram mil amostras de animais selvagens para chegar até o resultado divulgado. Acredita-se que o surto teria começado em um mercado ilegal de animais na cidade de Wuhan, que concentra grande parte dos casos. O novo coronavírus causou ao menos a morte de 636 pessoas, a maioria na China. 

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Mamífero típico da Ásia, o pangolim lembra visualmente um tatu. Ele é uma das espécies mais visadas pelo tráfico ilegal de animais, em especial para a retirada de suas escamas, que são utilizadas para fins medicinais, e para o consumo de sua carne. 

O resultado apresentado pelos cientista é visto com ceticismo por pesquisadores, como James Wood, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Cambridge. Ele questionou que a pesquisa ainda não foi publicada.

“Simplesmente reportar a detecnicação do vírus com uma sequência similar de mais de 99% não é suficiente. Esses resultados podem ter sido causados por uma contaminação de um ambiente altamente infectado?”, questionou.

“Nós precisamos analisar todo o banco de dados genético”, explica Jonathan Ball, professor da Universidade de Nottingham, da Inglaterra.

Dirk Pfeiffer, professor de Medicina Veterinária da Universidade de Hong Kong, apontou que é necessário fazer comparações com outros animais. “Você apenas pode ter conclusões mais definitivas se comparar a prevalência (do coronavírus) entre diferentes espécies baseada em amostras representativas, o que essa (do estudo) provavelmente não é.”

 

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